Pesquisa

30 abril 2013

O Quinto Império: Destino Espiritual


Terceira Parte – O Encoberto



Os Símbolos
SegundoO Quinto Império



Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz -
Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem,
Que as forças cegas se dormem
Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.
Grécia, Roma, Cristandade,
Europa - os quatros se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vai viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?



 Fernando Pessoa, Mensagem


«O Quinto Império, o Portugal que falta cumprir, é um destino espiritual.»


Fernando Pessoa vivenciou com grande intensidade aquilo que o próprio considerava a decadência portuguesa iniciada com a derrota na batalha de Alcácer Quibir. Considerava  o Portugal do seu tempo, nas palavras de Álvaro de Campos, como um «Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!», um Portugal de gente desnacionalizada, uma imaginação fértil apenas de aparência, sem capacidade de actuar objectivamente, heróis de palavra que deixavam de o ser quando necessários. As bases da sociedade portuguesa precisavam de ser destruídas e reorganizadas para posteriormente se poder criar. Apenas assim era possível superar as fraquezas e reerguer a nação. De outra forma cairíamos sempre nas mesmas fraquezas. Muitas vezes Fernando Pessoa referiu que faltava «cumprir-se Portugal», afirmando que desde o século XVII nada mais fizéramos senão cair na decadência, desnacionalizarmo-nos com a importação do constitucionalismo francês e degenerar com a revolução republicana.
            Para Fernando Pessoa o “ser português” não era apenas nascer em Portugal ou possuir um documento institucional que nos identificasse como portugueses. Não se tratava de uma condição atribuída. Segundo o autor existem várias espécies de Portugal dentro do mesmo Portugal assim como várias formas de se ser português. Há portugueses de nacionalidade que não o são de mentalidade. Como escreveu Pessoa, «A nossa ruína cultural, a nossa não lusitanidade íntima, esse é o mal que nos mina; todos os outros, por graves que sejam, podem passar, podem ter solução. Mas para aquilo que, continuado, é a morte mesma, não há solução».
No entanto, este resurgimento português não tem necessariamente que se dar como outrora aconteceu, como diz no poema “Prece”: «E outra vez conquistemos a Distância – Do mar ou outra, mas que seja nossa!». Com o intuito de ajudar a reorganizar Portugal, e desta forma projectar o país para o seu resurgimento, Pessoa dedicou o seu trabalho, os seus textos e estudos ao que considerava poder ser a forma da salvação lusa. Entre vários textos de intervenção social  e reflexões, o destino de Portugal viria a culminar, e na mesma linha de pensamento de António Vieira, no Quinto Império, ideia esta expressa com grande fervor na Mensagem. E é sobretudo na Mensagem que encontramos de forma vincada este sentimento patriota, a necessidade de reerguer a nação, de torná-la de novo, como antigamente, uma potência, surgindo também a ideia do Quinto Império associada ao sebastianismo. O sebastianismo associa-se ao Quinto Império como um movimento religioso, e como tal o único que podia ter repercussão na cultura do povo. D. Sebastião era visto, de forma claramente simbólica, como o salvador da pátria que regressaria em manhã de nevoeiro para nos salvar da decadência. Da mesma forma, o Quinto Império iniciar-se-ía também numa manhã nebulosa.
 Mas afinal, que tipo de império seria este Quinto Império? Obviamente não se tratava de um império físico, económico ou material, afirmando-se pelo uso da força mas sim um império de significado mais profundo. O Quinto Império tratava-se de uma fusão da ciência, do raciocínio e da especulação intelectual, com a intuição, o misticismo e o ocultismo. Era, portanto, um império baseado numa fusão do material com o espiritual, um império que se seguiria aos quatro grandes impérios anteriores (a saber, o Grego, o Romano, o Cristão e o Inglês), incluindo-os, no entanto não se subjugando a estes. O Quinto Império seria o primeiro império realmente Universal no qual se resumiriam, na sua essência, os quatro impérios anteriores.                


«Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal!»

            Segundo Fernando Pessoa, as interpretações da profecia têm sido das mais variadas. Algumas interpretações defendem que os impérios são materiais, outras que são espirituais e ainda outras interpretações defendem que são impérios em sentido translato e figurado.
            Este conceito é antigo na profecia cristã e hebraica, onde é determinada a existência de cinco impérios até ao que os profetas chamam de “fim do mundo”. No entanto, como referido anteriormente, este “mundo” é o mundo em que vivem, relaciona-se com o fim da sua existência enquanto seres humanos e não propriamente com o perecimento do mundo real.
A profecia do Quinto Império pode interpretar-se, segundo o autor, de três maneiras e diferentes, sendo que todas elas são certas. Torna-se assim difícil interpretar uma profecia, pois uma só interpretação não tem qualquer valor se não for acompanhada das outras duas, sendo que as três se relacionam entre si. A relação pode ser de três ordens: espacial, temporal ou intelectual. Se a profecia se dá sob a ordem espacial, então dá-se no mesmo lugar ou país em três tempos diferentes, sendo os acontecimentos iguais das três vezes. Se esta se dá sob a ordem temporal, então dá-se ao mesmo tempo em três países. Por fim, se o acontecimento se dá sob a ordem intelectual significa que se dá de três maneiras iguais no material, no intelectual e no espiritual. «Império é domínio e pode ser domínio material, domínio intelectual e domínio espiritual» (Fernando Pessoa, Obras de Fernando Pessoa, org. De António Quadros, vol. III, p. 716). Deste modo, pode aplicar-se a fórmula do Quinto Império a qualquer um destes três planos, revelando-se da mesma maneira em qualquer um deles:
            No plano material, que segundo Pessoa foi o único que se supôs, os quatro impérios anteriores são o da Babilónia, o da Pérsia, o Grego e o Romano. O Quinto será o europeu.
            No plano intelectual, «como o reino da Inteligência começa só com a Grécia», os quatro impérios são o Grego, o Romano, o Cristão e o Europeu. O Quinto será o Universal.
            No plano espiritual, tendo começado, para Fernando Pessoa, o domínio espiritual com os egípcios, os três primeiros impérios são o de Osíris, o de Baco e o de Cristo, ficando a faltar dois, que são os restantes até à consumação dos tempos.


«Um Império da Cultura, um Império do Espírito»


O imperialismo de cultura não procura um domínio material. Por outro lado, a intenção deste tipo de imperialismo é influenciar, ou seja, dominar pela absorção psíquica. Trata-se de um imperialismo de expansão espiritual. Procura criar novos valores civilizacionais com o intuito de despertar outras civilizações. Dois exemplos disso são a Grécia, e o Portugal dos descobrimentos. Segundo Fernando Pessoa, «Temos pois, que o primeiro afloramento civilizacional deste país foi um fenómeno de cultura, isto é, de espírito; Portugal surgiu definitivamente na civilização europeia pelas descobertas, e as descobertas são um acto cultural; mais que um acto cultural, são um acto de criação civilizacional.» (Fernando Pessoa, Obras de Fernando Pessoa, org. De António Quadros, vol. III, p. 726).
As razões para um Império da cultura português baseiam-se na riqueza linguística. Diz Fernando Pessoa que uma língua capaz de sustentar um Império da cultura deve ser gramaticalmente completa, rica, e fortemente nacional. Devem existir homens de génio literário que escrevam nessa língua, ilustrando-a, e de génio de perfeição linguística. Essa língua deve espalhar-se também bom um grande número de gente que a fala inicialmente, para assim se proporcionar uma conquista e ocupação perfeitas. A riqueza da língua depende dos elementos culturais diferentes que constem da sua fundação. A língua inglesa, das europeias, é a mais completa pois fazem parte dela o elemento cultural germânico e latino. Seguem-se-lhe a espanhola e a portuguesa, mas diz o autor que principalmente a portuguesa, na qual os elementos culturais são o latim e o árabe.
Em relação às condições de Portugal para ser uma potência espiritual, temos as seguintes: (1) a primeira coisa em que Portugal se destacou na Europa foi através de um fenómeno literário (através da poesia dos Cancioneiros e mais acentuadamente dos romances de cavalaria, que, diz Pessoa, não foi pouco para a época e é suficiente para a pesquisa que fazemos); (2) Portugal surgiu na civilização europeia através das descobertas e as descobertas não são senão um acto cultural, e mais que cultural são um acto de criação civilizacional; (3) salvo alguns países europeus que se possam desconhecer, Portugal foi o único em que a mentalidade superior progrediu e não o contrário. Em todos os outros países os valores superiores sofreram degeneração. Temos então que o primeiro afloramento civilizacional deste país foi um fenómeno de cultura e a ele se seguem várias condições que permitem a Portugal tornar-se uma potência a nível espitirual.
Se Portugal é um Império de cultura torna-se evidente que para a sua organização devem apoiar-se os elementos culturais a que pertence ou com aqueles que se conjuga. Um imperialismo, embora o nosso seja cultural, é sempre um imperialismo e uma política é sempre uma política, como tal é necessário tomar medidas organizacionais que possam encaminhar da melhor maneira a nação. O elemento unificador da nação é a língua, desta forma, uma nação que pretende para si um Império cultural deve começar por unificar-se com todas as nações que falam a mesma língua que a sua. Não pode haver um Império cultural sem uma unificação cultural.
Portugal justifica a sua aspiração a Império da cultura com a felicidade de até agora não ter tido uma grande literatura mas sim uma literatura pequena e escassa. Isto significa que tudo está por fazer o que torna possível fazer tudo como deve ser feito. Por outro lado, que mal fará prepararmo-nos para este Império ainda que não venhamos a tê-lo? Quem ganha com isso é o povo e o país. Trata-se de um enriquecimento cultural que pode ajudar, futuramente, a solucionar problemas de maior escala, aperfeiçoaremos ainda a l´ngua e na pior das hipóteses aprendemos a escrever melhor. «Não queremos derramar uma gota de sangue; e ao mesmo tempo nos não furtamos à ânsia humana de domínio.» (Fernando Pessoa, Obras de Fernando Pessoa, org. De António Quadros, vol. III, p. 729)
Fernando Pessoa defende que este imperialismo é um imperialismo de poetas, de gramáticos. Que este tipo de imperialismo vai mais longe e toca mais fundo que o dos generais. Que seja um imperialismo de poetas, pois então! Um imperialismo de poetas, segundo Pessoa, dura e domina enquanto que um imperialismo de políticos passa e esquece. «(...) se o não lembrar o poeta que os cante. Dizemos Cromwll fez, Milton diz.» (Fernando Pessoa, Obras de Fernando Pessoa, org. De António Quadros, vol. III, p. 729) E mesmo quando estes Impérios terminarem sempre os poetas subsistirão, a obra dos poetas só terminará quando terminar a existência do homem ao cimo da terra, ou, quem sabe, apenas quando a própria terra tiver um fim.


«O prazer é para os cães, o bem-estar material é para os escravos; o homem tem a honra e o domínio.»

            Este é o dever de Portugal e do povo português. A política, economia e mesmo a independência da nação, de nada vale senão apenas porque nos pode conduzir a este fim e permitir-nos alcançá-lo.
            «Quando uma nação atravessa uma crise profunda, e tem uma larga percentagem de analfabetos, há uma esperança: que na educação desses analfabetos esteja, como quase sempre estará, em grande parte a solução da crise.» (Fernando Pessoa, Obras de Fernando Pessoa, org. De António Quadros, vol. III, p. 731) No entanto, se uma nação é culta mas atravessa uma crise profunda toda a esperança de salvação é mínima porque não há nela material novo a que se possa recorrer. «Uma nação culta livra-se com relativa facilidade das crises menores, de que uma nação que o não é com dificuldade se tira, por ter uma menor capacidade de reacção; é das grandes crises que a nação culta dificilmente se tira.» (Fernando Pessoa, Obras de Fernando Pessoa, org. De António Quadros, vol. III, p. 731)
            Para Fernando Pessoa o Quinto Império não seria necessariamente o último, «duraria o tempo que tiver que durar, porque nada há perene e eterno». Quando perecermos, quando o nosso tempo acabar, outros surgirão e o fim do mundo refere-se ao fim do nosso mundo. Em alguns textos o autor refere-se ao Quinto Império como salvação, noutros refere-se a este como uma mentira que inventamos para erguer um povo decadente. Resta-nos perguntar de que modo terá Pessoa acreditado no Quinto Império.


29 abril 2013

Pneuma: Breath of Life

Um momento musical

A banda, iniciada em 2011, registou no início deste ano o seu primeiro trabalho de estúdio, «I Live, Therefore I Resist!».
Este trabalho vinha já a ser preparado ao longo do ano de 2010, culminando neste trabalho de 2013.
O único fim dos três elementos é produzir música. A música de que gostam, como lhes corre nas veias. Diferente, irreverente, sério e dedicado: esta é a definição do trabalho dos Borderline Psycho Killer.


18 maio 2010

Religião e Moral: Que Relação?

A ética é uma ciência do comportamento humano. Trata dos fins para os quais o comportamento humano é orientado e dos meios necessários para atingir um determinado fim. Preocupa-se com os motivos e as causas dos comportamentos humanos.

15 março 2010

Os sentimentos na música

A música, do grego musiké téchne (a arte das musas), é constituída por sons e pela ausência destes. No entanto, uma definição de música torna-se complicada, pois esta encontra-se em constante mudança. O mais simples, talvez, será dizer que a música organiza os sons e os silêncios no tempo. Mas já aqui, com esta definição, encontramos restrições: o que significa organizar os sons e os silêncios no tempo? Existe apenas uma forma de organizar os sons e os silêncios no tempo? À partida podemos dizer que existem várias maneiras de os organizar, sendo que todas elas são aceitáveis.
Um dos pontos de partida para este trabalho é exactamente tentar definir, ou limitar as hipóteses de uma definição do que é a música. Será que toda a combinação de sons e silêncios pode ser classificada como música?

Da Natureza Humana

Uma abordagem ao filme de Stanley Kubrick, A larânja mecânica

Uma incursão pelo mundo do cinema com um olhar filosófico.
Uma análise comparativa entre cinema e filosofia.
A larânja mecânica e a problemática do bem e do mal.

07 junho 2009

Tempo

E eis que surge um momento em que tudo pára.
As certezas tornam-se incertezas, a razão dissipa-se.
Tudo o que era estático agora move-se.
Um significado já não significa nada significante.
Não existe transmutação porque nada há para transmutar.
Ao redor tudo continua a girar.
Apenas nós parámos. Quem diz nós, diz eu.
Eu que sou um nós de corpo e alma.
Nós parámos, e o resto continua...
Quedo aqui. Fico, e fico...
Agora, tudo foi...

05 junho 2009

“A música não deve ser praticada por um único tipo de benefício que dela possa resultar, mas para usos múltiplos, pois pode servir para a educação, para a catarse e, em terceiro lugar, para o repouso, o alívio da alma (...). Disso resulta que é preciso fazer uso de todas as harmonias, mas não de todas no mesmo modo (...).”

Aristóteles, Política (VIII, 7, 1341 b)

02 janeiro 2007

Começar lembrando o passado: Iron Maiden, Earls Court, 23 de Dezembro

Lisboa, 23 de Dezembro, 4 da manhã - O acordar para a realidade de um sonho antigo:

Era finalmente verdade. Eu ía ver os Iron Maiden na sua terra natal. Tudo estava organizado desde final de Agosto, início de Setembro. Os bilhetes do concerto, a viagem, os itinerários na magnífica cidade de Londres, as finanças revistas e as contabilidades feitas.
Finalmente, e felizmente, acordámos dia 23, às 4 da matina, para o que iria ser uma das mais memoráveis aventuras em nome do metal e dos Iron Maiden, pela parte que tocava à 'trupe'.
O vôo era só às oito horas e vinte minutos, mas às cinco da manhã já rondávamos o aeroporto de Lisboa.
Check-in feito, espera interminável.
A viagem até Londres decorreu com toda a normalidade, habitual nas viagens de avião...
Aterrados em Londres que estávamos foi a vez de fazer tempo até às 18 horas, hora a que as portas dos nossos sonhos se abririam.



Londres, 23 de Dezembro, 18 horas, Earls Court - Os arrepios na 'espinha':

As portas abriram-se...
A fila, certo é que mais organizada que na nossa humilde 'terrinha' mas não deixando de ser uma fila, lá entrou aos meios empurrões.
O Earls Court é sem dúvida um monumento! Enorme história, grandiosas bandas que já pisaram lá o palco, edifício imponente, com grande classe no seu interior. Nem pareceria lugar para um concerto de metal.
É um espaço antigo, as bancadas revestidas a madeira, cadeiras de madeira e antigas, no entanto tudo estimado à boa maneira inglesa.
Enorme, dois ecrãs gigantes de cada lado do também grande palco, civilização que predominava.

18.30, Lauren Harris - Histerismo em forma humana:

É verdade, a filha de Mr. Steve Harris (Baixista dos Iron Maiden) lá arranjou um 'tacho'.
Inicialmente era para fazer as primeiras partes de Maiden em algumas datas onde os Trivium, banda escolhida inicialmente pelos Maiden para fazer as primeiras partes, não poderiam actuar.
A meio da tour as coisas mudaram um pouco e a 'menina' Harris começou a fazer as primeiras partes de Trivium, ou seja, começou a actuar cerca de meia hora antes da banda americana.
A rapariga esforça-se, até pode gostar muito de música e ter uma grande cunha, mas presença em palco e calma são coisas que lhe faltam.
Tudo bem que está no início, mas abrir para Maiden não é uma festa de Universidade, não é um baile de finalistas e também não foi o primeiro concerto da menina Harris.
A musiquinha é um pop-rock agradável, bons músicos, no entanto a vocalização (ou gritaria!?) deixa algo a desejar.
Em primeiro a voz de Lauren Harris não é nada de especial, mas depois esta menina também não parece saber interpretar, ou será que o objectivo é vender?
Mais uma Britney Spears, meio inserida no meio metálico graças ao pai que tem.
Em segundo lugar, nas poucas interacções que teve com o público destaco... nada! Lauren Harris decidiu testar os tímpanos de todos os presentes gritando incansavelmente sempre que falava, o que impediu que se percebesse também o que pretendia transmitir.
Agradeceu, aqui humanamente e calmamente, aos Iron Maiden e ao público.
Serviu para entreter mas se a primeira parte fosse apenas a cargo dela saberia a muito pouco.

19.15, Trivium - Sim, em Londres os horários são cumpridos:

Os Trivium entraram a horas, certinhos como um relógio, não estivéssemos nós em Londres.
Esta banda, com uma linha musical algo deambulante entre o death metal e o trash metal, surpreendeu.
Não é, para mim, uma grande surpresa mas sim uma boa surpresa. Música agradável, 'sempre a abrir', não deixando ninguém adormecido e a puxar o headbanging, muito boa presença em palco. Matt Heafy, vocalista e guitarrista da banda, além de muita garra mostrou ter uma boa interacção com o público, mantendo-o sempre agarrado ora pela música, ora pela conversa.
Agradeceu também aos Iron Maiden pela oportunidade que lhes estavam a dar, deu os parabéns ao aniversariante Dave Murray (guirarrista dos Iron Maiden), disse que queria ver mais headbanging, mais moshe e mais gente a cantar. Incentivou a criação de circle pits, 'rasgou' mais dois temas e foram-se embora os Trivium, um bom aquecimento para Iron Maiden e o grande momento estava perto.

20.45, Doctor Doctor dos UFO; Mars, the Bringer of War de Gustav Holst; Different World - Iron Maiden, A Matter of life:


Os Iron Maiden, mais uma vez, a horas.
Depois da muito boa Doctor Doctor dos UFO já todo o público no Earls Court estava de pé, meio extasiado. Todos sabiam o que se seguiria.
A cortina abre-se, num fundo vermelho e iluminado por um projector amarelo Nicko grita, e entramos num Different World.
Acústica impecável, os Iron Maiden com uma sonoridade impecável. O público completamente contagiado, nas mãos da Dama de Ferro.
Different World acaba e segue-se, tal como em toda a restante tournée, These Colours Don't Run, precedida por uma pequena introdução onde Bruce Dickinson disse "We're Iron Maiden and these colhours don't run".
Mais uma música passada e a certeza de que aquelas cores não fogem mesmo: os Maiden estavam em palco aos 50 anos, frescos que nem alfaces e com quase 30 anos de carreira.
Brighter than a thousand suns, The pilgrim, The longest day, todas sublimes. A única confirmação de que não estávamos perante A matter of life and death em CD era o facto da banda estar perante nós, da sonoridade ser mais real, da energia partilhada ser bem mais intensa, pois em termos técnicos este albúm, apesar de complexo, foi interpretado sem qualquer falha. E a maior surpresa surgiu de onde se esperava a maior falha: Bruce Dickinson.
48 anos e muitas tournées em cima, o apresentador de rádio, piloto de aviões, praticante de esgrima, vocalista e letrista surpreendeu muito pela positiva. A sua voz em albúm era fascinante, as interpretaçõe sperfeitas, mas ao vivo este senhor mostrou que está aí para as curvas e para outros tantos 49 anos de muito mais artimanhas.
Ele canta, ele salta, ele comunica com o público, ele tem o público na mão, ele discursa seriamente ou em tom de brincadeira.
É fantástico... simplesmente! Notas altas, notas baixas, variações de ritmo e de tom perfeitas, sem uma única quebra ou desafinação.
Chega Out of the Shadows e como era habitual o primeiro discurso mais sério com o público. Alguém decide atirar uma boneca e Bruce pergunta se alguém se recorda da música da série onde a boneca entrava.
O público não responde e Bruce começa a puxar, em jeito de brincadeira.
Voltamos à música e ao alinhamento de A matter of life and death.
The reincarnation of benjamin breeg, for the greater good of god... até ao legado continuamos bem sem saber se estamos perante uma questão de vida ou de morte, sabemos apenas que estamos perante os Iron Maiden e que aquelas quase duas horas são preciosas e valem bem o dinheiro.
Chegado ao fim o alinhamento do novo albúm outro discurso: "Senhoras e senhoras, pela última vez na história mundial, A matter of life and death na sua íntegra".
Fear of the Dark, e a loucura invadiu a sala.
Como que de repente o público presente no Earls Court mostrou-se vivo e eufórico, isto depois de um pequeno adormecimento logo após The longest day/Out of the Shadows (que se deveu, possivelmente, ao facto do novo albúm ser interpretado na íntegra; uns reclamaram outros se deliciaram!).
Depois do novo material regressavam os clássicos bem conhecidos de qualquer fã ou simples apreciador de Iron Maiden.
Seguiu-se o hino: Iron Maiden. Pela primeira vez aparece Eddie. Por trás do estrado da bateria surge um tanque, abre-se a escotilha e aparece a mascote.
Os Maiden vão embora mas hão-de regressar para o encore.

Regressados Bruce incentiva os presentes a cantar os parabéns a Dave Murray.
Um momento de boa disposição onde Dave se mostrou contente e também muito bem humorado.
"Que horas são?"
2 minutes to midnight abre o encore. Outro clássico pelo qual os fãs anseavam há algum tempo.
The evil that men do e Hallowed be thy name e a única forma de descrever estes momentos é loucura total pela parte do público e perfeição pela parte dos Iron Maiden.

Chegámos ao final com a certeza de que estão bem vivos.
Mostraram enorme energia em palco e que não é só o vinho do porto que se quer bem envelhecido.
É impossível transmitir o que se sente num concerto, é possível contar a sua história, que muitas vezes durante as tours sao contadas.
Aqui está a minha... que sentida foi, certamente.

Cá os esperamos, pelo menos, em 2008.


A matter of... band!

27 outubro 2006

Convém esclarecer algumas coisas

Estado Novo

António de Oliveira Salazar tornou-se Presidente do Conselho em 1932, tendo no ano seguinte apresentado uma nova Constituição, que pôs fim à Ditadura Militar, e instaurando o regime a que a propaganda oficial chamou Estado Novo. Apesar de possuir algumas características semelhantes ao fascismo italiano de Benito Mussolini, o Estado Novo nunca se assumiu como sendo fascista.

Eis algumas das características e orientações fundamentais do Estado Novo português:

- Foi criado um partido político oficial, a União Nacional, que transmitia o "espírito da Nação", enquanto que a oposição era duramente reprimida. Quando Marcello Caetano substituiu Salazar alterou o nome União Nacional para Acção Nacional Popular.

- Toda a vida económica e social do país foi organizada em corporações. O corporativismo estabelecia um maior controlo do Estado sobre as actividades económicas e dificultava a existência dos Sindicatos.

- O culto a Salazar nunca assumiu as proporções existentes na Itália ou na Alemanha

- A Igreja e o regime caminhavam lado a lado. Com uma ideologia marcadamente conservadora, o Estado Novo orientava-se segundo os princípios consagrados pela tradição: Deus, Pátria, Família, Autoridade, Hierarquia, Moralidade, Paz Social e Austeridade.

- Foi desenvolvido um projecto ao nível da cultura que pretendeu dar uma certa leveza ao regime e simultaneamente glorificá-lo.

- A censura aos media procurou sempre não deixar avançar qualquer tipo de rebelião contra o regime, velando sempre pela moral e os bons costumes que Salazar defendia.

- Uma polícia política, que teve várias designações (PVDE, PIDE, DGS), que perseguia todo e qualquer opositor do regime.

- Uma política colonialista, que afirmava que Portugal como "um Estado pluricontinental e multirracial". Todavia, a partir de 1961, já com muitas pressões internacionais para o país conceder a independência às suas colónias, teve início uma das páginas mais negras da nossa História: a Guerra Colonial.

- Uma política nacionalista a vários níveis, marcada pela máxima "Estamos orgulhosamente sós".

- Criação de milícias, uma para defesa do regime e combate ao comunismo, a Legião Portuguesa; outra destinada a inculcar nos jovens os valores do regime, a Mocidade Portuguesa.

26 outubro 2006

Os grandes portugueses; fazer pensar Portugal!

Tudo começou com a Pangéia, na era Mesozóica, durante os períodos Jurássico e Triássico. A palavra origina-se do facto de todos os continentes estarem juntos (Pan) formando um único bloco de terra (Geia).
Segundo a teoria da Deriva Continental a Pangéia separou-se nos variados continentes, tal como os conhecemos hoje. A ideia da Deriva Continental surgiu pela primeira vez no final do século XVI, com o trabalho do holandês Abraham Ortelius que era um criador de mapas. No seu trabalho de 1596, Thesaurus Geographicus, Ortelius sugeriu que os continentes estivessem unidos no passado. A sua sugestão teve origem apenas na similaridade geométrica das costas atuais da Europa e África com as costas da América do Norte e do Sul; mesmo para os mapas relativamente imperfeitos da época, ficava evidente que havia um bom encaixe entre os continentes. A ideia, evidentemente, não passou de uma curiosidade que não produziu consequências.
Outro geógrafo, Antonio Snider-Pellegrini, utilizou o mesmo método de Ortelius para desenhar o seu mapa com os continentes encaixados, em 1858. Como nenhuma prova adicional foi apresentada, além da consideração geométrica, a ideia foi novamente esquecida.
A similaridade entre os fósseis encontrados em diferentes continentes, bem como entre formações geológicas, levou alguns geólogos do hemisfério Sul a acreditar que todos os continentes já estiveram unidos, na forma de um supercontinente que recebeu o nome de Pangéia.

A Europa é a parte ocidental do supercontinente euroasiático. Embora geograficamente seja considerada uma península da Eurásia, os povos da Europa têm características culturais e uma história específica, o que justifica que o território europeu seja geralmente considerado como um continente separado.

Portugal (de nome oficial República Portuguesa) fica situado no sudoeste da Europa, na zona Ocidental da Península Ibérica e é o país mais ocidental da Europa, delimitado a Norte e a Leste pelo reino de Espanha e a Sul e Oeste pelo Oceano Atlântico. O território de Portugal compreende ainda os arquipélagos autónomos dos Açores e da Madeira, situados no hemisfério norte do Oceano Atlântico. Durante os séculos XV e XVI, Portugal era a maior potência económica, social e cultural do mundo, com um império que estendia-se em várias colónias pelo mundo. É hoje um país desenvolvido, economicamente próspero, social e politicamente estável e humanamente desenvolvido. Membro da União Europeia desde 1986, é um dos países fundadores da Zona Euro.


E é aqui, com o nosso país, que esta reflexão começa (anteriormente mencionou-se uma mera nota introdutória com objectivo de situar no tempo e no espaço o assunto que se pretende debater).

Pois bem, este novo programa da RTP, cujo formato foi comprado à BBC, tem por objectivo pôr nas mãos do povo português a eleição do maior português, ou estrangeiro que se tenha fixado em Portugal e que tenha contribuído de alguma forma para ajudar o país.
A proposta, à primeira vista, pode parecer tentadora e ingénua, mas no fundo, bem analisados os factos, não o é. É certo que se trata de um programa de entretenimento e que tanto os resultados como as conclusões que se possam tirar no final das votações vão servir apenas como curiosidade, sendo que todos somos pessoas diferentes e, como tal, os nossos valores e ideias também o são.
No entanto, retirando-lhe o factor de entretenimento, este programa remete-nos para o nosso passado, para a nossa grandiosa história. Leva-nos a reflectir, a pensar sobre o que fomos, o que somos e o que pretendemos ser, ou fazer deste país.
Deixo então aqui uma primeira opinião explícita: em termos de entretenimento é um programa interessante, ao qual devemos dar uma credibilidade subjectiva, não o assumindo com maior seriedade do que merece; em termos culturais é como uma pérola que veio despertar (se não veja-se por toda a parte os debates que surgiram em torno da questão, sendo para isso necessário recorrer a factos históricos, à cultura) um debate cultural extremamente rico e que, de certa a forma, nos pode (ou deveria) ajudar a melhorar, no mínimo os níveis culturais sobre nós próprios.

Muito se fala de história mas não só na história e na política podemos encontrar grandes portugueses. Encontramos na ciência, no desporto, na cultura, etc.
Então porquê mencionar, na maioria, a história?
Porque somos um dos paises que maior influência teve no início da história Mundial, tal como falamos dela hoje. Fomos dos maiores impulsionadores das chamada época das Descobertas, tivemos o mundo na nossa mão, fomos uma das maiores potências mundiais.
A nossa história é um grande motivo de orgulho, como tal é normal que seja tão referida.
É também verdade que nem tudo é perfeito e sempre surgem fases menos boas. No entanto há situações bem piores (por exemplo, e para citar apenas uma, não somos um país de extrema pobreza, não vivemos numa miséria maioritária).
Assim é normal que seja a história a mais referenciada, como dizia, não residindo apenas nela, e em 'heróis falecidos', a nossa grandeza. O velho hábito 'portuga' de dizer que tudo o que é nosso é mau, que se é mau é nosso, que em Portugal nada se faz bem, não é mais que um mito.
A verdade é que tivemos e temos nos dias de hoje grandes personalidades, e que são marcantes, um pouco por todo o mundo. O mal está, talvez, na má gestão do país de há uns largos anos para cá. No entanto, enfatizar o mal fingindo que só ele existe não é o caminho certo. Todos somos portugueses, todos temos culpa, todos podemos ajudar, ou a democracia é apenas no papel?

Passando agora à análise de algumas sugestões da televisão pública podemos encontrar grandes homens, é verdade. (Lembro-me agora de outra questão que surge por parte de quem gosta de gerar polémicas. Fala-se que as mulheres são pouco votadas. É normal, a história foi, até há bem pouco tmepo, maioritariamente, ou totalmente, dominada pela masculinidade. Não é uma questão de desprezo, é uma questão de mentalidades que ainda vai levar anos a ser alterada. No entanto quem não se lembra de uma grande Padeira de Aljubarrota, de Sophia de Mello Breyner, de Hanna Damásio e tantas outras? No entanto, e sejamos sinceros, a sua participação é minoritária, não por isso sem importância.)
Uma personalidade polémica e muito debatida é António de Oliveira Salazar.
Porque não pode ele ser um grande português? Como referi antes, as opiniões são subjectivas. No entanto este senhor não teve apenas o seu lado negativo (que é certo é o mais reconhecido e muitas vezes ajuda a denegrir uma imagem que também muito de bom teve).
Senão atente-se no seguinte (retirado da Wikipédia):

Primeiro - A caminho do poder
Foi seminarista em Viseu. Depois de ter sido excelente na actividade que conduzia[Carece de fontes], mudou-se para Coimbra para estudar Direito (1910). Em 1914 tornou-se bacharel em Direito e em 1916 assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em (1917) a convite do professor José Alberto dos Reis, praticando a actividade com uma qualidade nunca antes vista[Carece de fontes] e antes de se doutorar (1918).

Durante este período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no Centro Académico da Democracia Cristã onde faz «amigos» como (Mário de Figueiredo Barbosa, José Nosolini Barbosa, os irmãos Dinis da Fonseca Barbosa, Manuel Gonçalves Cerejeira e o seu irmão Júlio Barbosa, filho de Bissaia Barreto Barbosa); alguns haveriam de colaborar nos seus governos. Combate o anticlericalismo da 1ª República através de artigos de opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e debates. Enquanto estuda Maurras, Le Play e as encíclicas do Papa Leão XIII e vai consolidando o seu pensamento, vai-o explicitando em artigos que plagia.

Segundo - A pasta das Finanças

Com a crise económica e a agitação política da 1ª República (que se prolongou inclusive após o 28 de Maio), a Ditadura Militar chamou Salazar em Junho de 1926 para a pasta das finanças; passados treze dias renuncia ao cargo e torna a Coimbra por não lhe haverem satisfeitas as condições que achava indispensáveis ao seu exercício.

Em 1928, após a eleição de Carmona e na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas públicas reassumiu a pasta. Exigiu controlo sobre as despesas e receitas de todos ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um superavit nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29.

- Sei muito bem o que quero e para onde vou. - afirmara, denunciando o seu propósito na tomada de posse.

Na imprensa, especialmente a que lhe era favorável, Salazar seria muitas vezes retratado como salvador da pátria. O prestígio ganho, a propaganda, a habilidade política na manipulação das correntes da direita republicana, dos monárquicos e dos católicos consolidavam o seu poder. A Ditadura dificilmente o podia dispensar e o Presidente da República consultava-o em cada remodelação ministerial. Enquanto a oposição democrática se desvanecia em sucessivas revoltas sem êxito, procurava-se dar rumo à Revolução Nacional imposta pela ditadura. Salazar, recusando o regresso ao parlamentarismo da 1ª República, dá a solução: cria a União Nacional em 1931, movimento nacional (na prática o partido único) aglutinador de todos quantos quisessem servir a pátria.

É verdade que foi uma ditadura. É verdade que uma ditadura, para quem a vive, não será agradável.
É também, e muitas vezes esta parte é esquecida porque apenas os factos que nos interessam são mencionados, visto que por vezes não existem argumentos para combater os contrários, verdade que Portugal atravessava uma fase de crise e foi eleito pelo povo, democraticamente, um líder de pulso firme.
Necessitavamos de um hoje. Será que não iríamos cair em opressão de novo? Não se sabe, é possível. No entanto quem tem medo de viver não sai de casa.


Temos depois também os grandes reis, como foi D. Afonso Henriques, fundador do nosso império, D. João II, que nos libertou do domínio espanhol, temos dois dos maiores poetas, Fernando Pessoa e Luís Vaz de Camões, temos Vasco da Gama, José Saramago, prémio nobel da literatura, António Damásio, conceituadíssimo neurologista que conduz investigações nos Estados Unidos, e muitos mais, milhares...
Temos também grandes personalidades a nível desportivo e outros tipos de entretenimento.
No entanto, na minha modesta opinião, considerar um desportista como um grande português é algo estranho. Ter jeito para dar uns pontapés na bola e ganhar milhões não é, para mim, razão para se ser um grande português.
No entanto, são opiniões.

Poderia citar uma data de documentos e factos históricos, mas prefiro deixar isso ao critério de cada um.
Deixo um link para pesquisa: Google

Para terminar, e em jeito de conclusão, eleger o maior ou melhor português é muito complicado, quase certamente impossível. Ao votarmos num rei não podemos esquecer toda a imensidão de gente por trás dele que permitiu que o seu reinado fosse glorioso.
Existem muitas razões, cada um terá as suas, para eleger um bom português.
Na minha opinião todos podemos ser bons portuguêses. Basta para isso gostar de ser português, ser-se Patriota (amor, dedicação e orgulho pela pátria).
Todos estes, mais ou menos cultos, bons ou maus, são bons portugueses!

Deixo em seguida algumas opiniões recolhidas no fórum da RTP:

José Gomes

2006-10-16 02:36:46 OBVIAMENTE AFONSO HENRIQUES, O PRIMEIRO, O MAIOR
mas há dúvidas quanto ao maior português?

sinceramente, todos os outros podem ser bons, sagazes ou talentosos, mas d. afonso henriques é incomparável, inigualável.

ele fez tudo por este país: acreditou num reino separado de castela, lutou por essa ideia, fundou PORTUGAL, foi o primeiro português, guerreou contra a propria mãe para defender este país, conquistou 80% do nosso território, estabeleceu os acordos com o papa para reconhecer a legitimidade do reino de portugal, teve o maior reinado de sempre, ah com idade avançada ainda foi salvar o filho ao castelo de ourique...

genial! nunca, jamais, algum português igualou estes feitos. a ele tudo devemos. OBRIGADO POR PORTUGAL



mafalda

2006-10-13 15:42:01 liberdade de expressão...
olá todos, pelo o que pôde constatar acho que os portugueses não deviam relatar tanto sobre o facto de Salazar estar nas listas. Não defendo que fosse um grande Portugues, mas fez parte da nossa história, embora que essa parte da história não seja um sucesso e nem um exemplo para a nossa nação. Mas o povo têm o direito á escolha, seja lá quem fôr. Portanto, cada um escolhe aquele(a) que teve grande significado, mas devo confessar que Salazar não irá chegar aos topos, pois não é um Homem que nós tenhamos orgulho enfim mas vivemos noutra era e essa temos o direito á liberdade de expressão, coisa que no tempo de Salazar jamais poderiamos ter... obrigado e boa escolha ...


Ana Sofia

2006-10-13 15:32:23 Essa Pessoa
Fernando Pessoa.Um dos génios do século XX.O único poeta com 3 personalidades(heterónimos), cada uma a mais irreverente.Alberto Caeiro pelo seu sensacionismo;Alvaro de Campos e a sua paixão pelas máquinas e progressos;Ricardo Reis o apaixonado.
Este poeta que "fingia a dor que deveras sentia", esteve, de facto, perto de criar uma outro epopeia, a par com os Lusíadas. A sua obra "Mensagem", retrata na perfeição a história de Portugal."o Brasão", o inicio do Condado Portucalense;"O Mar", retratando os descobrimentos com magnificos poemas exaltando todo o sofrimento durante as navegações; e por fim,e quanto a mim a melhor parte de toda a Mensagem, "O Nevoeiro", em que Fernando Pessoa mostra como Portugal se comportou desde a morte de D.Sebastião.
Sem dúvida alguma que este poeta é, no Modernismo, um Mito, "mito o nada, que é tudo", foi o que foi Fernando Pessoa,passe-se a redundancia, com os seus heterónimos, isto é, foi tudo e foi apenas Fernando Pessoa.
Todo o seu simbolismo, todo o seu melancolismo, todo o seu fingimento deviam fazer parte da boblioteca de cada um.


Um dos Imortais

2006-10-13 15:28:26 Salazar e Soares
Independentemente de cada opinião, Salazar foi um grande português, ou pelo menos, um dos vultos mais marcantes em Portugal.
Eu pessoalmente odeio o Mário Soares pelo que fez na descolinização mas reconheco o direito dele aparecer numa lista destas, pois fez outras coisas que merecem ser enaltecidas (só me lembro da adesão à CEE).
Actualmente é consensual que o que Salazar fez depois da IIGM não foi benéfico para Portugal mas as coisas "más" que fez não podem censurar as coisas "boas" (controle das finanças, fim da bandalheira da 1ª repulbica, decapitação da resistência monarquica, desenvolvimento das colónias, manutenção do império português, etc).
Acho lamentavel também que se julgue TODAS as acções do Salazar pelos valores morais de hoje e não se aplique a mesma atitude em relação a outras figuras! O Afonso Henriques vendeu a Galiza e agrediu a própria mãe, o D. João II e o D. Manuel lixaram os judeus, o D. João IV submeteu à força povos à nossa vontade, o Marquês de Pombal lixou os Tavóra, etc etc...
Tenham bom senso e lembrem-se que é suposto divertir-nos e aprendermos com isto.
A minha escolha seria sempre:
1 - D. Afonso Henriques
3 - D. João IV (assinou um tratado que nos dava parte do mundo... mais que isto é dificil);
2 - D. Dinis (oficializou a língua portuguesa e assegurou desta forma a nossa independencia cultural para sempre);
3 - Vasco da Gama
4 - Afonso Alburqueque (violento mas essencial na altura certa);
5 - Infante D. Henrique
6 - Nuno Alvares Pereira (o homem na altura certa)
7 - Camões
8 - Marquês Sá da Bandeira (aboliu a escravatura e lutou toda a vida);
9 - Mouzinho de Alburquerque (praticamente sozinho manteve Moçambique português e a paga foi morrer na miséria)
10 - Amália Rodrigues


Bem hajam, portugueses!

24 setembro 2006

UHF: Umas Horas Fantásticas!

Quando...
Quando soube que os UHF iam estar no Coliseu dos Recreios sempre afirmei a pés juntos que iria estar na primeira fila. Estive!
Quando entrei no Coliseu corri para a frente, esperei, vi-o encher, senti alguma amargura por não vê-lo totalemnte cheio mas, como diria mais tarde António Manuel Ribeiro 'nós somos uma família'. Poucos, mas bons! A família UHF, sempre leal!
Quando...
Quando se aproximava a hora o nervoso miudinho começava. Era a primeira vez (não por falta de vontade em vê-los mas sim por falta de oportunidade, anteriormente, e porque na altura em que os UHF estavam no topo era eu uma criança ou nem nascido ainda).
Quando o dia amanhece... Quando António Manuel Ribeiro nos declamou a primeira de várias poesias. Há uma força, dentro de ti, dentro de mim...

Através de clássicos e mais clássicos, músicas da ópera rock, "La pop end rock", ou do novo albúm, "Há rock no cais", com também um inédito, duas horas e um pouco mais se passaram, parecendo que a cada música estavamos no começo, parecendo que António Manuel Ribeiro é agora um jovem no seu auge, que os UHF sempre foram os três jovens e o veterano.
Vários encores que nos faziam sentir que o não desejado final estava perto.
Uma bandeira portuguesa em fundo. A banda a agradecer.

FOi grande, foi imenso, estão de parabéns e emocionou-me.

Obrigado António, obrigado UHF.

03 setembro 2006

Kiss of death - Lemmy's alive



Desde que Mr. Kilmister formou os Motorhead, em 1975, que, quando pomos um CD na nossa aparelhagem, modo PLAY, sabemos exactamente o que podemos esperar: 'wild' hard-rock. Hard-rock rasgado, vocalização rouca, 70 minutos de headbanging à mais alta rotação.
No entanto, ao longo dos anos, o som 'Motorheadiano' não foi, sempre, 'mais do mesmo'. Encontramos influências clássicas, hard-rock puro, mais pesado (a roçar mesmo as afinações mais graves), na era Steve Vai um cheiro a speed-power-metal e até mesmo baladas.
No entanto a linha condutora de 'Lemmy rock-style', a lenda viva, está sempre lá. Líricas de guerra, de amor, o que quer que seja. Uma banda rock no verdadeiro sentido da palavra. Gosto pela profissão, vida vivida no extremo, rock no máximo volume: vida selvagem!

Kiss of Death vem na onda dos dois anteriores albúns, 'Inferno' e 'Hammered'. No entanto encontramos nele algumas referências que nos remetem para o mítico 'Ace of Spades'.
Temos a sensação de entrar numa máquina de alta velocidade durante 70 minutos, quebramos as barreiras do som, chegamos ao fim e voltamos ao início. São os Motorhead. Temos a sensação também, e felizmente que assim o é pois uma banda rock nunca deve soar a falsidade, de estar em estúdio com a banda graças à bela produção deste albúm. Se fecharmos os olhos podemos mesmo imaginar que estamos a ver ao vivo a Lenda Viva.

Lemmy é um animal selvagem à solta. Mais um ícone.
Será que podemos esperar de Motorhead algum fracasso?
Não encontramos muito inovação. No entanto não nos arrependemos quando compramos um albúm. Soa sempre diferente, sempre único, sempre Motorhead.
Enquanto Lemmy viver os Motorhead viverão.

Assim a música é feliz!

31 agosto 2006

A matter of life, death, much more Iron Maiden and a tour




A Matter of Life and Death.
Já antes tinha falado aqui deste albúm, na altura com saída agendada para 28 de Agosto do presente ano.
Desta vez o albúm está já cá fora. E que albúm...

Comecemos pelo início da história.
Iron Maiden, banda originária de Londres, fundada no início dos anos oitenta por Steve Harris, baixista da banda. Na altura, os Maiden, integravam um movimento apelidado de New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) que incluía muitas bandas da onda metálica das quais se esperava um renascimento do espírito Metal, com benéficas inovações.
Pois bem, os Maiden foram, sem dúvida, A Banda. Tornaram-se então senhores e reis do Heavy Metal. São reconhecidos por todo o mundo, conhecendo ou não a sua música o nome não escapa a muitos ouvidos. São uma banda com uma imagem sólida, respeitada, de grande qualidade e paixão pelo seu trabalho. Quem disto dúvidas tiver ou não vive neste mundo ou não o quer viver.

Há volta de 25 anos se passaram desde que 'Arry teve a feliz e luminosa ideia de juntar mais quatro tipos com a mesma paixão (presentemente são seis). 25 anos de albúns, de tournées, de sucesso, de insucesso, de muita paixão, dedicação e um nunca baixar os braços. 25 anos de respeito pela maior banda de Heavy Metal à face da Terra. (Apesar de alguns se auto-apelidarem 'kings of metal'.)
Mudanças de formação (quase que obrigatórias na história de qualquer banda), novas ideias, algumas mudanças em relação ao sentido musical sem no entanto se afastarem muito da linha condutora ao fim de todos estes anos: O metal.
É verdade que desde 2000, quando se reuniram Janick Gers, Steve Harris, Nicko McBrain, Dave Murray, Bruce Dickinson e Adrian Smith, (Adrian e Bruce tinham abandonado a banda durante alguns anos para enveredarem por carreiras a solo) que os Maiden ganharam nova força, enveredando também por uma carreira mais na onda do Hard-Rock, chegando mesmo a tocar o rock progressivo com 'A matter of life and death', sem no entanto abandonarem as linhas musicais que definiram desde o inicío a banda, as linhas musicais que nos permitem ouvir um album e independentemente do ano ou da sua sonoridade mais característica dizer com certeza e um sorriso no rosto: "Isto é Maiden!".

'A matter of life and death' não será um albúm na onda de 'Somewhere in time' ou 'Iron Maiden', que são albúns mais directos tanto em termos líricos como musicais, mas um albúm complexo, coeso, um grande albúm de Maiden que em certas alturas nos faz pensar que estamos a reviver a Piece of Mind-era, Powerslave-era, Somewhere in time-era... Enfim, faz-nos sentir que os Maiden estão bem vivos, que a sua sonoridade pode mudar, pode esconder-se mas que não pode fugir!
(These colours don´t run!)
Em 'Uma questão de vida e morte' encontramos dez temas.
Começamos num mundo diferente, entramos num campo de guerra, contínuamos a combater ao lado de Bruce e companhia, conhecemos um peregrino que insiste em fazer com que a água passe a vinho, voltamos de novo a guerra desembarcando na Normandia, assistimos ao nascimento de um novo ser, reencarnamos com um tipo amaldiçoado, falamos com Deus, conhecemos o senhor da luz e terminamos num legado.

Será difícil emitir uma opinião concreta sobre um albúm que nem uma semana tem de vida. Cada um, ao longo dos tempos o interpretará da sua forma. No entanto, nesta era musical em que vivemos, não há duvida de que os Iron Maiden apostaram forte e não se renderam (aliás como nunca o fizeram e não irão certamente fazer) às tendências musicais recentes. Maiden é Maiden, eles fazem o que querem.





À LUPA



DIFFERENT WORLD: Uma abertura bem ao estilo Maiden. Uma entrada poderosa, 'a abrir', um riff orientador ao longo de toda a música, variações melódicas, refrão que entra no ouvido, de cantarolar por dias a fio, letra ao bom estilo Adrian Smith, profunda o suficiente para nos fazer pensar mas não para derreter os miolos. Um solo fantástico que, em minha opinião, é dos melhores do albúm: melódico, simples. Ao bom estilo de Invaders ou Aces High. Um misto de Wicker Man e Wildest Dreams com um final bem mais estrondoso.

THESE COLOURS DON'T RUN: Um verdadeiro hino, uma homenagem aos soldados que defendem o nosso mundo. Um começo bem calmo que nos ambienta ao campo de batalha. Depois dá-se a passagem para o riff principal, forte, galopado mas não ao velho estilo, um galope moderado (uma das referências escondidas), um ritmo obscuro que nos posiciona numa trincheira. Avançamos aos poucos, combatemos o inimigo, somos atingidos por solos agressivos, um Bruce Dickinson que contínua a mostrar que velho é o Mick Jagger e quem não tem voz é o Robbie Williams. Por fim a vitória. Um repetido 'oh oh oh' que nos faz imaginar uma marcha, um trote. Honrando a pátria, estas cores não fogem!

BRIGHTER THAN A THOUSAND SUNS: Encontramos nesta terceira faixa um dos pontos chave do albúm. Uma entrada melódica e calma, tal qual explicação do que se vai passar nos próximos minutos. Depois uma passagem para um riff pesado, talvez do mais pesado que encontramos em Maiden (a par do riff da "The reicarnation of Benjamin Breeg). Um ritmo lento mas poderoso. As várias mudanças ao longo de toda a música fazem-nos sentir que esta é mesmo "mais brilhante que mil sóis" de uma forma obscura.

THE PILGRIM: Mr. Janick Gers já nos tem mostrado o grande talento que é tanto dentro como fora de palco. Como compositor tem-se revelado enorme também. É talvez o elemento que maior diversidade trouxe ao som da banda. Em THE PILGRIM encontramos uma surpresa. Um ritmo 'punchy', uma estrutura mid-tempo. Uma sonoridade a puxar o hard-rock. ALgumas secções rítmicas que nos transportam para a Powerslave-era.

THE LONGEST DAY: Outro dos pontos altos do albúm. o Dia D, o desembarque na Normandia. Tudo isto envolto num grande ambiente musical. Ambiente também ele obscuro (como será talvez a maioria do albúm...) que acompanha na perfeição a 'poesia' de Bruce Dickinson. Uma música directa mas que pode sempre ser espremida e deitará muito sumo, certamente. O coro liberta-nos, os versos ao longo da música criam-nos um aperto, cortam-nos a respiração. Como é possível sentirmo-nos num campo de batalha, na pele de soldados, apenas com uma música? Basta ouvir para comprovar...

OUT OF THE SHADOWS: Outra grande surpresa. Esta não nos remete para a guerra mas sim para a felicidade que é o nascimento de um novo ser, espelhando também o mau momento que se vive em toda a parte. Ao bom estilo de Maiden de 'uma no cravo outra na ferradura'. No entanto a música em sí é a surpresa. Uma balada no verdadeiro sentido da palavra. Pode relembrar-nos 'Children of the damnes' ou mesmo 'Remember Tomorrow', no entanto é apenas similar. É uma balada durante todo o tempo que a compõe. Mudanças de ritmo, guitarras acústicas, outro belíssimo solo (muito diferente do que estamos habituados a receber da banda), ritmo calmo durante 5.63 minutos.

THE REINCARNATION OF BENJAMIN BREEG: O single. Uma sonoridade também extremamente pesada que nos leva a pensar se os 'Three amigos' não andaram a brincar com as afinações dos seus instrumentos... Adiante. Uma maldição assombra o nosso amigo Benjamin (que, ao que parece, nos vai ser difícil descobrir quem é, havendo já rumores). A linha musical mantém-se obscura. Regressamos às sonoridades egípcias na que é, para mim, a melhor prestação de Dave Murray no albúm. Destaque para a calmíssima introdução, mais uma vez, e para o 'killer-riff' de abertura.

FOR THE GREATER GOOD OF GOD: Ora bem, mais um épico de Steve Harris. Um 'Arry que já não é o mesmo de 'Rime of the Ancient Mariner' ou 'Hallowed be thy name' mas que, apesar de num estílo mais progressivo, contínua a mostrar porque é que os Maiden apareceram, viveram e vivem. Uma grande música com um conteúdo lírico enorme. Em termos músicais temos uma entrada de baixo sinistra, um ritmo, seguidamente, que nos lembra uma sonoridade bíblica, de igreja. Um Dickinson que canta a 'bandeiras despregadas'. Uma música que muitos fanáticos religiosos deveriam ouvir.

LORD OF LIGHT: Sem dúvida a mais agressiva de 'A matter of life and death'. Outro 'killer-riff' numa música que é marcada pelo rápido rapidinho, com algumas quebras rítmicas e melódicas que nos possibilitam um descanço. Esta é a música mais Maidenizada de todo o albúm, numa versão hard-rock da banda. Uma amiga do headbanging.

THE LEGACY: Entramos no legado medieval, outra surpresa. Sonoridades medievais que lembram Blackmore's Night, ritmos rasgados, galopes, tudo isto nos envolve numa teia de mentira. É outra obra de arte de Janick Gers. Temos variações enormes de ritmo. Há uns anos nunca seria de esperar um 'track' destes num albúm de Maiden. No entanto o lugar é totalmente merecido. O solo de Janick Gers é fabuloso.



Concluíndo:

- Bruce Dickinson canta a bandeiras despregadas. O homem já não é um jovem adolescente mas também não é um velho. Grande letrista. O frontman que qualquer banda desejaria.

- Nicko McBrain tem, talvez, uma das prestações mais sólidas e de maior qualidade desde que se juntou há banda. O ritmo de bateria é ao longo de todo o albúm muito compacto.

- Steve Harris, o patrãozinho. Finalmente, depois de 18 anos o baixo regressa em força a um albúm da banda. E que regresso. O grande compositor que é também volta a reaparecer.

- The tree amigos estão melhor que nunca. Desta vez ouvimos claramente três guitarras. Ouvimos ritmos a que anda estávamos habituados, ouvimos velhas marcas sonoras já nossas conhecidas.


Os Maiden estão aí e estão em força! Quanto mais velhos melhores estão, à vinho do Porto. A produçãoa cargo de Kevin Shirley também é merecedora de destaque. A sonoridade da banda está muito compacta em albúm. Captar isso em estúdio não é fácil.
É um albúm que todos os fãs e não apreciadores da banda deveriam ouvir. Iron Maiden na sua versão século XXI. 'This is what I call fuckin music!'

29 agosto 2006

Foi há vinte anos

Dia 29 de agosto.
Há vinte anos atrás (1986).
Albúm mais experimental da carreira até então. Sonoridade algo comercial. Teclas. Sintetizadores. Não por isso pequena obra de arte.
Estará sempre entre os melhores.





Parabéns, Somewhere!

27 janeiro 2006

Quota de música portuguesa aprovada: esperança renasce!

Não fosse o assunto estar já terminado, e a lei aprovada, e diria que a questão da quota obrigatoria de música portuguesa na rádio tornar-se-ía tabú, atendendo ao tempo que o assunto tem vindo a arrastar-se.
No entanto, este começou a ser visto cada vez mais como uma realidade quando no dia 16 de Dezembro de 2005, num artigo do Diário de Notícias podia ler-se que “as rádios nacionais” estavam “dispostas a aceitar quotas de música” e que “segundo declarações do presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), José Faustino, (...) o ministro dos Assuntos Parlamentares, Santos Silva” iria “receber uma proposta de alteração à Lei da Rádio”. Estas leis incluiam, neste caso incluem, “a aceitação das quotas de música portuguesa que a tutela já tinha defendido anteriormente, e que correspondem a um quarto da programação”.
Segundo uma notícia publicada no jornal online “Cotonete”, a lei foi aprovada no dia 10 de Janeiro de 2006 pela Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura e prevê que as rádios nacionais passem entre “25 a 40 por cento de música portuguesa na sua programação”.
A quota de música portuguesa será definida todos os anos pelo Governo e deverá ser aplicada entre as 7h e as 20h. No que se refere ao tipo de música a ser transmitido, a lei obriga que 35 por cento do total corresponda a novidades, ou seja, músicas com menos de 12 meses, enquanto 60 por cento será reservado para a «música composta ou interpretada em língua portuguesa por cidadãos dos Estados-membros da União Europeia», ou ainda músicas que ”representem uma contribuição para a cultura portuguesa”. O incumprimento da lei, cuja fiscalização ficará a cargo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, é punível com multas que oscilam entre os três mil e os 50 mil euros, dependendo da cobertura das rádios. Ainda segundo o “Cotonete”, relativamente às “excepções previstas na lei, a revista Meios & Publicidade revela que os 35 por cento de “novidades” não são impostos «a rádios que difundam exclusivamente música com mais de um ano», como é o caso do Rádio Clube Português. Também as rádios temáticas, que transmitam géneros musicais que não sejam suficientemente produzido em Portugal não serão obrigadas a seguir à risca as normas da nova legislação. No entanto, caberá à Entidade Reguladora para a Comunicação Social definir quais os critérios que irão qualificar as rádios como temáticas”.
A lei foi aprovada no dia 17 deste mês.


Concluindo: esta medida é extremamente favorável aos músicos portugueses. Há sensivelmente 25 anos que não se assistia, no nosso país, a movimentos que tivessem por objectivo divulgar a música portuguesa, sendo ela de artistas conhecidos ou daqueles mais novinhos que tentam vingar na música. As rádios encontram-se demasiado presas às playlists, nas quais só se encontram as músicas mais recentes de determinado artista, as que fazem correr dinheiro. Não se dá a importância ao album como um todo, sendo assim difícil para os ouvintes tomarem conhecimento de novos trabalhos e, possivelmente, levar à compra do disco (muitos deles com bastante qualidade), sendo que um dos papeis da rádio é o de divulgar música. Assim, abre-se de novo uma janelinha no fundo do túnel para a música portuguesa voltar a ter sucesso.

Estaremos perante outro “boom” iminente do bom rock português? Há 25 anos foi assim!

06 novembro 2005

Porque foste, Vai?



4 horas: uma entrada de uma hora com uma bela sardinhada que deixou água na boca, três horas seguintes de luzes e, sobretudo, muita acção e som!

Foi no dia 4 de Novembro que Lisboa foi, novamente, presenteada com a presença de um dos melhores, e mais importantes, guitarristas da actualidade (e que certamente já é eterno): senhoras e senhores... STEVE VAI!!!

Cheguei à Aula Magna de Lisboa por volta das 19/19.30. Primeiramente fiquei espantado com a quantidade de gente que se encontrava já à porta da Magna, superando, muito largamente, as minhas expectativas sobre o impacto que este senhor da musica tem no nosso país (em relação à sua carreira a solo).
Às 20 as portas exteriores da Magna de Lisboa lá abriram lentamente, não sabíamos nós que mais meia hora nos esperava, já dentro do recinto e em frente às portas que levavam à sala de espectáculos propriamente dita.
20.30, lá entramos. Uns minutinhos e lá chegou a mítica vontade da jolinha antes do início do espectáculo, mas isso fica cá para mim...
21! Eric Sardinhas! Perdão, Sardinas...
O americano fez jus à famosa expressão "kick some serious ass". Cheio de energia, com uma presença em palco fantástica, Sardinas mostrou-nos toda a sua arte musical, muito baseada em slides, melodias cristalinas ou uns slides rasgados, desde os blues a uma sonoridade algo progressiva, com um final estonteante que começou com uma saida de palco, uma volta atraves da plateia, regresso ao palco, slides com uma garrafa de cerveja e um final puramente Hendrixiano com o palco em chamas e a guitarra a arder. Fantástico!
Sai Eric, entram os técnicos, aproveita-se para recuperar energia enquanto se preparava a entrada de um verdadeiro Gentleman.
Uma voz surgiu a anunciar Steve Vai, as luzes apagaram por completo, ouvi-se um som de baixo e eis que aparece Steve Vai, guitarra de dois braços nas mãos, um lenço na cabeça e um vestuário que fazia lembrar um samurai.
E lá estava o guerreiro com a sua arma!
Depois de dois temas (se não me engano), surgiu o primeiro agradecimento e o diálogo com o público. E aqui começava a notar-se a arte de comunicar, que não está presente apenas através da guitarra mas também na voz de Vai. Apresenta a banda, faz umas piadas com Prince e canta, em falseto, o refrão de "Little red corvette", e voltamos à música.
O tempo ía passando, Steve desfilava, dançava, movia-se ao som da sua guitarra com uma sensualidade enorme, um estilo muito rock'n'roll e uma ventoínha (?) que insistiu ao longo da noite em levantar-lhe o cabelo (tudo conjugado para o fazer brilhar, na noite que era dele).
Mas, ao contrário do que se esperava, talvez, a noite não foi de Steve, mas de todos os presentes na sala. A interacção muito bem disposta constante com o público, os solos que proporcionou a todos os músicos da sua banda, o dueto com o baterista, o retorno de Sardinas para uma jam, como lhe chamou, o encore, For the love of god, o sentimento de que estava prestes a acabar, o final, e Steve, claramente emocionado a agradecer ao público português, com uma mão sobre o coração. Uma noite inesquecível que deixa água na boca... Steve, Vai mas volta!

11 julho 2005

O supergrupo Led Zeppelin

Os Led Zeppelin venceram uma sondagem para eleger os melhores músicos de sempre, formando um autêntico supergrupo.


Os quatro elementos da banda, Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham, ficaram em primeiro lugar em cada uma das categorias individuais da sondagem, relativas ao melhor vocalista, guitarrista, baixista e baterista de sempre.

Cerca de 3500 pessoas participaram na sondagem da rádio Planet Rock, elegendo Plant como o maior vocalista, à frente de Freddie Mercury, dos Queen, e Paul Rodgers, dos Free, que se encontra em digressão com os Queen.

«Este resultado é fantástico. Os ouvintes podiam ter votado em qualquer artista de rock clássico quando lhes foi pedido para criarem um supergrupo», explica o radialista Trevor Dann, da Planet Rock, em relação à vitória dos Led Zeppelin.


Melhor Cantor

1. Robert Plant (Led Zeppelin)
2. Freddie Mercury (Queen)
3. Paul Rodgers (Free, Bad Company)
4. David Coverdale (Deep Purple, Whitesnake)
5. Ian Gillan (Deep Purple)
6. Bon Scott (AC/DC)
7. Ronnie James Dio (Rainbow)
8. Stevie Nicks (Fleetwood Mac)
9. Roger Daltrey (The Who)
10. Bono (U2)

Melhor Guitarrista

1. Jimmy Page (Led Zeppelin)
2. Slash (Guns N' Roses)
3. Ritchie Blackmore (Deep Purple)
4. Jimi Hendrix
5. Angus Young (AC/DC)
6. Gary Moore
7. Brian May (Queen)
8. Joe Satriani
9. Steve Vai
10. David Gilmour (Pink Floyd)

Melhor Baixista

1. John Paul Jones (Led Zeppelin)
2. John Entwistle (The Who)
3. Chris Squire (Yes)
4. Phil Lynott (Thin Lizzy)
5. Geddy Lee (Rush)
6. Jack Bruce (Cream)
7. Steve Harris (Iron Maiden)
8. Lemmy (Motorhead)
9. Geezer Butler (Black Sabbath)
10. Roger Waters (Pink Floyd)

Melhor Baterista

1. John Bonham (Led Zeppelin)
2. Neil Peart (Rush)
3. Keith Moon (The Who)
4. Cozy Powell (Black Sabbath, Rainbow)
5. Phil Collins (Genesis)
6. Ginger Baker (Cream)
7. Ian Paice (Deep Purple)
8. Roger Taylor (Queen)
9. Dave Grohl (Nirvana/Foo Fighters)
10. Eric Carr (Kiss)


FONTE: www.cotonete.iol.pt

08 julho 2005

"O uso da Net ou a possibilidade de sermos o outro que sonhamos"

Algo interessante que achei que deveria partilhar.
Para evitar as tentações...


«Há jovens que se escondem atrás de um computador para comunicar com outros, faltam às aulas e preferem ficar online do que usufruir de uma noite de sono. Marta Bastos, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), que tem vindo a analisar a relação dos estudantes universitários com a Internet, considera que este comportamento apresenta sintomas patológicos que permitem classificar este tipo de pessoas, do ponto de vista psicológico, como amedrontadas. Mas nem todos são assim: existem alunos que usam a Net como mero meio de pesquisa e lazer.

A Internet acaba por ser um instrumento na construção de uma nova identidade. Segundo a pesquisa desenvolvida por Marta Bastos, enquanto os indivíduos seguros do ponto de vista emocional usam a rede como um meio de trabalho ou de lazer, os outros encontram aí um refúgio e um meio de construção de um outro eu. Os indivíduos inseguros, refere a investigadora, têm uma imagem negativa de si próprios. Daí a enorme expectativa que colocam no anonimato que as novas tecnologias proporcionam. Estas dão a oportunidade de «experimentar on-line diferentes personalidades».

A necessidade é criada pelo seu próprio perfil de comportamento na vida real. Em geral, são «tímidos, vivendo com medo de ser rejeitados, preocupados com a possibilidade de os outros não gostarem deles, que os vejam como pouco atraentes e aborrecidos». De facto, aponta Marta Bastos, este género de utilizador tem mais dificuldades em criar relações românticas devido ao medo de se expor. Na Web há sempre alguém numa sala de chat disposto a entabular conversa e, acima de tudo, o risco de rejeição é praticamente inexistente.»

FONTE: Psicologia.com.pt

20 abril 2005

Ratzinger: o fascismo religioso

"O prelado, encarregado oficialmente de guardar a pureza da doutrina, descreve o rock como «expressão de paixões elementares que, nos grandes concertos musicais, assumiu carácter de culto, ou melhor de contra-culto que se opõe ao culto cristão».

Acusa o rock de querer falsamente «libertar o homem por um fenómeno de massa, perturbando os espíritos pelo ritmo, o barulho e os efeitos luminosos».

Quanto à música pop, «ela já não é mais apoiada pelo povo». «Trata-se na minha opinião, de um fenómeno de massa, de uma música produzida com métodos e a uma escala industrial e que se pode qualificar desde já de culto da banalidade», afirma.

O prelado acusa ainda a música de ópera de ter «corroído o sagrado» no século passado e cita a esse propósito o papa Pio X que, no início do século, «tentou afastar a música de ópera da liturgia»."

Apenas dois comentários:

1º - Felizmente que a condição de Papa não dá o direito de modificar/criar leis;
2º - A religião, com este novo Papa, volta a tornar-se um centro de fanatismo que tem como objectivo obrigar todos os crentes a acreditar simplesmente nas explicações religiosas negando tudo o resto.

13 abril 2005

Há rock no cais: uma crítica

Pois é, finalmente já saiu.
Depois da primeira data anúnciada (14 de Março), e devido "às negociações com duas distribuidoras que se disponibilizaram a licenciar 'Há Rock No Cais'", o rock finalmente chegou, a 11 de Abril, ao "cais".

Depois de La Pop End Rock a meta dos UHF encontrava-se elevada. Criar um sucessor digno da ópera rock não seria fácil, mas os UHF fizeram-no ao seu melhor estilo. Um albúm que marca certamente o regresso às origens da banda de Almada, liderada por António Manuel Ribeiro. O rock nú e cru, ao velho estilo de "À flor da pele", está de volta numa altura em que o rock português comemora 25 anos, depois dos êxitos "Chico Fininho" e "Cavalos de corrida".
Canções "formato música de 3 minutos" que são como um "soco", como disse AMR na ante-estreia do albúm, com uma lírica ao estilo de AMR: marcante, forte e com muito sentimento.

Numa altura em que os UHF não têm (ou tinham), certamente, a mesma popularidade de início de carreira, caindo por vezes em esquecimento, ou desconhecimento nos casos de gerações recentes, junto das multidões, "Há rock no cais" é uma lufada de ar fresco, que poderá catapultar de novo a banda para os tops nacionais, e dar ao rock português o "empurrão" de que estava a precisar mas que as bandas mais recentes não eram capazes de dar sem uma pequena ajuda.
Esperamos assim que o nosso bom rock tenha ainda muitas palavras a dizer, e que este albúm seja o início de uma nova fase.