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02 janeiro 2007

Começar lembrando o passado: Iron Maiden, Earls Court, 23 de Dezembro

Lisboa, 23 de Dezembro, 4 da manhã - O acordar para a realidade de um sonho antigo:

Era finalmente verdade. Eu ía ver os Iron Maiden na sua terra natal. Tudo estava organizado desde final de Agosto, início de Setembro. Os bilhetes do concerto, a viagem, os itinerários na magnífica cidade de Londres, as finanças revistas e as contabilidades feitas.
Finalmente, e felizmente, acordámos dia 23, às 4 da matina, para o que iria ser uma das mais memoráveis aventuras em nome do metal e dos Iron Maiden, pela parte que tocava à 'trupe'.
O vôo era só às oito horas e vinte minutos, mas às cinco da manhã já rondávamos o aeroporto de Lisboa.
Check-in feito, espera interminável.
A viagem até Londres decorreu com toda a normalidade, habitual nas viagens de avião...
Aterrados em Londres que estávamos foi a vez de fazer tempo até às 18 horas, hora a que as portas dos nossos sonhos se abririam.



Londres, 23 de Dezembro, 18 horas, Earls Court - Os arrepios na 'espinha':

As portas abriram-se...
A fila, certo é que mais organizada que na nossa humilde 'terrinha' mas não deixando de ser uma fila, lá entrou aos meios empurrões.
O Earls Court é sem dúvida um monumento! Enorme história, grandiosas bandas que já pisaram lá o palco, edifício imponente, com grande classe no seu interior. Nem pareceria lugar para um concerto de metal.
É um espaço antigo, as bancadas revestidas a madeira, cadeiras de madeira e antigas, no entanto tudo estimado à boa maneira inglesa.
Enorme, dois ecrãs gigantes de cada lado do também grande palco, civilização que predominava.

18.30, Lauren Harris - Histerismo em forma humana:

É verdade, a filha de Mr. Steve Harris (Baixista dos Iron Maiden) lá arranjou um 'tacho'.
Inicialmente era para fazer as primeiras partes de Maiden em algumas datas onde os Trivium, banda escolhida inicialmente pelos Maiden para fazer as primeiras partes, não poderiam actuar.
A meio da tour as coisas mudaram um pouco e a 'menina' Harris começou a fazer as primeiras partes de Trivium, ou seja, começou a actuar cerca de meia hora antes da banda americana.
A rapariga esforça-se, até pode gostar muito de música e ter uma grande cunha, mas presença em palco e calma são coisas que lhe faltam.
Tudo bem que está no início, mas abrir para Maiden não é uma festa de Universidade, não é um baile de finalistas e também não foi o primeiro concerto da menina Harris.
A musiquinha é um pop-rock agradável, bons músicos, no entanto a vocalização (ou gritaria!?) deixa algo a desejar.
Em primeiro a voz de Lauren Harris não é nada de especial, mas depois esta menina também não parece saber interpretar, ou será que o objectivo é vender?
Mais uma Britney Spears, meio inserida no meio metálico graças ao pai que tem.
Em segundo lugar, nas poucas interacções que teve com o público destaco... nada! Lauren Harris decidiu testar os tímpanos de todos os presentes gritando incansavelmente sempre que falava, o que impediu que se percebesse também o que pretendia transmitir.
Agradeceu, aqui humanamente e calmamente, aos Iron Maiden e ao público.
Serviu para entreter mas se a primeira parte fosse apenas a cargo dela saberia a muito pouco.

19.15, Trivium - Sim, em Londres os horários são cumpridos:

Os Trivium entraram a horas, certinhos como um relógio, não estivéssemos nós em Londres.
Esta banda, com uma linha musical algo deambulante entre o death metal e o trash metal, surpreendeu.
Não é, para mim, uma grande surpresa mas sim uma boa surpresa. Música agradável, 'sempre a abrir', não deixando ninguém adormecido e a puxar o headbanging, muito boa presença em palco. Matt Heafy, vocalista e guitarrista da banda, além de muita garra mostrou ter uma boa interacção com o público, mantendo-o sempre agarrado ora pela música, ora pela conversa.
Agradeceu também aos Iron Maiden pela oportunidade que lhes estavam a dar, deu os parabéns ao aniversariante Dave Murray (guirarrista dos Iron Maiden), disse que queria ver mais headbanging, mais moshe e mais gente a cantar. Incentivou a criação de circle pits, 'rasgou' mais dois temas e foram-se embora os Trivium, um bom aquecimento para Iron Maiden e o grande momento estava perto.

20.45, Doctor Doctor dos UFO; Mars, the Bringer of War de Gustav Holst; Different World - Iron Maiden, A Matter of life:


Os Iron Maiden, mais uma vez, a horas.
Depois da muito boa Doctor Doctor dos UFO já todo o público no Earls Court estava de pé, meio extasiado. Todos sabiam o que se seguiria.
A cortina abre-se, num fundo vermelho e iluminado por um projector amarelo Nicko grita, e entramos num Different World.
Acústica impecável, os Iron Maiden com uma sonoridade impecável. O público completamente contagiado, nas mãos da Dama de Ferro.
Different World acaba e segue-se, tal como em toda a restante tournée, These Colours Don't Run, precedida por uma pequena introdução onde Bruce Dickinson disse "We're Iron Maiden and these colhours don't run".
Mais uma música passada e a certeza de que aquelas cores não fogem mesmo: os Maiden estavam em palco aos 50 anos, frescos que nem alfaces e com quase 30 anos de carreira.
Brighter than a thousand suns, The pilgrim, The longest day, todas sublimes. A única confirmação de que não estávamos perante A matter of life and death em CD era o facto da banda estar perante nós, da sonoridade ser mais real, da energia partilhada ser bem mais intensa, pois em termos técnicos este albúm, apesar de complexo, foi interpretado sem qualquer falha. E a maior surpresa surgiu de onde se esperava a maior falha: Bruce Dickinson.
48 anos e muitas tournées em cima, o apresentador de rádio, piloto de aviões, praticante de esgrima, vocalista e letrista surpreendeu muito pela positiva. A sua voz em albúm era fascinante, as interpretaçõe sperfeitas, mas ao vivo este senhor mostrou que está aí para as curvas e para outros tantos 49 anos de muito mais artimanhas.
Ele canta, ele salta, ele comunica com o público, ele tem o público na mão, ele discursa seriamente ou em tom de brincadeira.
É fantástico... simplesmente! Notas altas, notas baixas, variações de ritmo e de tom perfeitas, sem uma única quebra ou desafinação.
Chega Out of the Shadows e como era habitual o primeiro discurso mais sério com o público. Alguém decide atirar uma boneca e Bruce pergunta se alguém se recorda da música da série onde a boneca entrava.
O público não responde e Bruce começa a puxar, em jeito de brincadeira.
Voltamos à música e ao alinhamento de A matter of life and death.
The reincarnation of benjamin breeg, for the greater good of god... até ao legado continuamos bem sem saber se estamos perante uma questão de vida ou de morte, sabemos apenas que estamos perante os Iron Maiden e que aquelas quase duas horas são preciosas e valem bem o dinheiro.
Chegado ao fim o alinhamento do novo albúm outro discurso: "Senhoras e senhoras, pela última vez na história mundial, A matter of life and death na sua íntegra".
Fear of the Dark, e a loucura invadiu a sala.
Como que de repente o público presente no Earls Court mostrou-se vivo e eufórico, isto depois de um pequeno adormecimento logo após The longest day/Out of the Shadows (que se deveu, possivelmente, ao facto do novo albúm ser interpretado na íntegra; uns reclamaram outros se deliciaram!).
Depois do novo material regressavam os clássicos bem conhecidos de qualquer fã ou simples apreciador de Iron Maiden.
Seguiu-se o hino: Iron Maiden. Pela primeira vez aparece Eddie. Por trás do estrado da bateria surge um tanque, abre-se a escotilha e aparece a mascote.
Os Maiden vão embora mas hão-de regressar para o encore.

Regressados Bruce incentiva os presentes a cantar os parabéns a Dave Murray.
Um momento de boa disposição onde Dave se mostrou contente e também muito bem humorado.
"Que horas são?"
2 minutes to midnight abre o encore. Outro clássico pelo qual os fãs anseavam há algum tempo.
The evil that men do e Hallowed be thy name e a única forma de descrever estes momentos é loucura total pela parte do público e perfeição pela parte dos Iron Maiden.

Chegámos ao final com a certeza de que estão bem vivos.
Mostraram enorme energia em palco e que não é só o vinho do porto que se quer bem envelhecido.
É impossível transmitir o que se sente num concerto, é possível contar a sua história, que muitas vezes durante as tours sao contadas.
Aqui está a minha... que sentida foi, certamente.

Cá os esperamos, pelo menos, em 2008.


A matter of... band!

27 outubro 2006

Convém esclarecer algumas coisas

Estado Novo

António de Oliveira Salazar tornou-se Presidente do Conselho em 1932, tendo no ano seguinte apresentado uma nova Constituição, que pôs fim à Ditadura Militar, e instaurando o regime a que a propaganda oficial chamou Estado Novo. Apesar de possuir algumas características semelhantes ao fascismo italiano de Benito Mussolini, o Estado Novo nunca se assumiu como sendo fascista.

Eis algumas das características e orientações fundamentais do Estado Novo português:

- Foi criado um partido político oficial, a União Nacional, que transmitia o "espírito da Nação", enquanto que a oposição era duramente reprimida. Quando Marcello Caetano substituiu Salazar alterou o nome União Nacional para Acção Nacional Popular.

- Toda a vida económica e social do país foi organizada em corporações. O corporativismo estabelecia um maior controlo do Estado sobre as actividades económicas e dificultava a existência dos Sindicatos.

- O culto a Salazar nunca assumiu as proporções existentes na Itália ou na Alemanha

- A Igreja e o regime caminhavam lado a lado. Com uma ideologia marcadamente conservadora, o Estado Novo orientava-se segundo os princípios consagrados pela tradição: Deus, Pátria, Família, Autoridade, Hierarquia, Moralidade, Paz Social e Austeridade.

- Foi desenvolvido um projecto ao nível da cultura que pretendeu dar uma certa leveza ao regime e simultaneamente glorificá-lo.

- A censura aos media procurou sempre não deixar avançar qualquer tipo de rebelião contra o regime, velando sempre pela moral e os bons costumes que Salazar defendia.

- Uma polícia política, que teve várias designações (PVDE, PIDE, DGS), que perseguia todo e qualquer opositor do regime.

- Uma política colonialista, que afirmava que Portugal como "um Estado pluricontinental e multirracial". Todavia, a partir de 1961, já com muitas pressões internacionais para o país conceder a independência às suas colónias, teve início uma das páginas mais negras da nossa História: a Guerra Colonial.

- Uma política nacionalista a vários níveis, marcada pela máxima "Estamos orgulhosamente sós".

- Criação de milícias, uma para defesa do regime e combate ao comunismo, a Legião Portuguesa; outra destinada a inculcar nos jovens os valores do regime, a Mocidade Portuguesa.

26 outubro 2006

Os grandes portugueses; fazer pensar Portugal!

Tudo começou com a Pangéia, na era Mesozóica, durante os períodos Jurássico e Triássico. A palavra origina-se do facto de todos os continentes estarem juntos (Pan) formando um único bloco de terra (Geia).
Segundo a teoria da Deriva Continental a Pangéia separou-se nos variados continentes, tal como os conhecemos hoje. A ideia da Deriva Continental surgiu pela primeira vez no final do século XVI, com o trabalho do holandês Abraham Ortelius que era um criador de mapas. No seu trabalho de 1596, Thesaurus Geographicus, Ortelius sugeriu que os continentes estivessem unidos no passado. A sua sugestão teve origem apenas na similaridade geométrica das costas atuais da Europa e África com as costas da América do Norte e do Sul; mesmo para os mapas relativamente imperfeitos da época, ficava evidente que havia um bom encaixe entre os continentes. A ideia, evidentemente, não passou de uma curiosidade que não produziu consequências.
Outro geógrafo, Antonio Snider-Pellegrini, utilizou o mesmo método de Ortelius para desenhar o seu mapa com os continentes encaixados, em 1858. Como nenhuma prova adicional foi apresentada, além da consideração geométrica, a ideia foi novamente esquecida.
A similaridade entre os fósseis encontrados em diferentes continentes, bem como entre formações geológicas, levou alguns geólogos do hemisfério Sul a acreditar que todos os continentes já estiveram unidos, na forma de um supercontinente que recebeu o nome de Pangéia.

A Europa é a parte ocidental do supercontinente euroasiático. Embora geograficamente seja considerada uma península da Eurásia, os povos da Europa têm características culturais e uma história específica, o que justifica que o território europeu seja geralmente considerado como um continente separado.

Portugal (de nome oficial República Portuguesa) fica situado no sudoeste da Europa, na zona Ocidental da Península Ibérica e é o país mais ocidental da Europa, delimitado a Norte e a Leste pelo reino de Espanha e a Sul e Oeste pelo Oceano Atlântico. O território de Portugal compreende ainda os arquipélagos autónomos dos Açores e da Madeira, situados no hemisfério norte do Oceano Atlântico. Durante os séculos XV e XVI, Portugal era a maior potência económica, social e cultural do mundo, com um império que estendia-se em várias colónias pelo mundo. É hoje um país desenvolvido, economicamente próspero, social e politicamente estável e humanamente desenvolvido. Membro da União Europeia desde 1986, é um dos países fundadores da Zona Euro.


E é aqui, com o nosso país, que esta reflexão começa (anteriormente mencionou-se uma mera nota introdutória com objectivo de situar no tempo e no espaço o assunto que se pretende debater).

Pois bem, este novo programa da RTP, cujo formato foi comprado à BBC, tem por objectivo pôr nas mãos do povo português a eleição do maior português, ou estrangeiro que se tenha fixado em Portugal e que tenha contribuído de alguma forma para ajudar o país.
A proposta, à primeira vista, pode parecer tentadora e ingénua, mas no fundo, bem analisados os factos, não o é. É certo que se trata de um programa de entretenimento e que tanto os resultados como as conclusões que se possam tirar no final das votações vão servir apenas como curiosidade, sendo que todos somos pessoas diferentes e, como tal, os nossos valores e ideias também o são.
No entanto, retirando-lhe o factor de entretenimento, este programa remete-nos para o nosso passado, para a nossa grandiosa história. Leva-nos a reflectir, a pensar sobre o que fomos, o que somos e o que pretendemos ser, ou fazer deste país.
Deixo então aqui uma primeira opinião explícita: em termos de entretenimento é um programa interessante, ao qual devemos dar uma credibilidade subjectiva, não o assumindo com maior seriedade do que merece; em termos culturais é como uma pérola que veio despertar (se não veja-se por toda a parte os debates que surgiram em torno da questão, sendo para isso necessário recorrer a factos históricos, à cultura) um debate cultural extremamente rico e que, de certa a forma, nos pode (ou deveria) ajudar a melhorar, no mínimo os níveis culturais sobre nós próprios.

Muito se fala de história mas não só na história e na política podemos encontrar grandes portugueses. Encontramos na ciência, no desporto, na cultura, etc.
Então porquê mencionar, na maioria, a história?
Porque somos um dos paises que maior influência teve no início da história Mundial, tal como falamos dela hoje. Fomos dos maiores impulsionadores das chamada época das Descobertas, tivemos o mundo na nossa mão, fomos uma das maiores potências mundiais.
A nossa história é um grande motivo de orgulho, como tal é normal que seja tão referida.
É também verdade que nem tudo é perfeito e sempre surgem fases menos boas. No entanto há situações bem piores (por exemplo, e para citar apenas uma, não somos um país de extrema pobreza, não vivemos numa miséria maioritária).
Assim é normal que seja a história a mais referenciada, como dizia, não residindo apenas nela, e em 'heróis falecidos', a nossa grandeza. O velho hábito 'portuga' de dizer que tudo o que é nosso é mau, que se é mau é nosso, que em Portugal nada se faz bem, não é mais que um mito.
A verdade é que tivemos e temos nos dias de hoje grandes personalidades, e que são marcantes, um pouco por todo o mundo. O mal está, talvez, na má gestão do país de há uns largos anos para cá. No entanto, enfatizar o mal fingindo que só ele existe não é o caminho certo. Todos somos portugueses, todos temos culpa, todos podemos ajudar, ou a democracia é apenas no papel?

Passando agora à análise de algumas sugestões da televisão pública podemos encontrar grandes homens, é verdade. (Lembro-me agora de outra questão que surge por parte de quem gosta de gerar polémicas. Fala-se que as mulheres são pouco votadas. É normal, a história foi, até há bem pouco tmepo, maioritariamente, ou totalmente, dominada pela masculinidade. Não é uma questão de desprezo, é uma questão de mentalidades que ainda vai levar anos a ser alterada. No entanto quem não se lembra de uma grande Padeira de Aljubarrota, de Sophia de Mello Breyner, de Hanna Damásio e tantas outras? No entanto, e sejamos sinceros, a sua participação é minoritária, não por isso sem importância.)
Uma personalidade polémica e muito debatida é António de Oliveira Salazar.
Porque não pode ele ser um grande português? Como referi antes, as opiniões são subjectivas. No entanto este senhor não teve apenas o seu lado negativo (que é certo é o mais reconhecido e muitas vezes ajuda a denegrir uma imagem que também muito de bom teve).
Senão atente-se no seguinte (retirado da Wikipédia):

Primeiro - A caminho do poder
Foi seminarista em Viseu. Depois de ter sido excelente na actividade que conduzia[Carece de fontes], mudou-se para Coimbra para estudar Direito (1910). Em 1914 tornou-se bacharel em Direito e em 1916 assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em (1917) a convite do professor José Alberto dos Reis, praticando a actividade com uma qualidade nunca antes vista[Carece de fontes] e antes de se doutorar (1918).

Durante este período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no Centro Académico da Democracia Cristã onde faz «amigos» como (Mário de Figueiredo Barbosa, José Nosolini Barbosa, os irmãos Dinis da Fonseca Barbosa, Manuel Gonçalves Cerejeira e o seu irmão Júlio Barbosa, filho de Bissaia Barreto Barbosa); alguns haveriam de colaborar nos seus governos. Combate o anticlericalismo da 1ª República através de artigos de opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e debates. Enquanto estuda Maurras, Le Play e as encíclicas do Papa Leão XIII e vai consolidando o seu pensamento, vai-o explicitando em artigos que plagia.

Segundo - A pasta das Finanças

Com a crise económica e a agitação política da 1ª República (que se prolongou inclusive após o 28 de Maio), a Ditadura Militar chamou Salazar em Junho de 1926 para a pasta das finanças; passados treze dias renuncia ao cargo e torna a Coimbra por não lhe haverem satisfeitas as condições que achava indispensáveis ao seu exercício.

Em 1928, após a eleição de Carmona e na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas públicas reassumiu a pasta. Exigiu controlo sobre as despesas e receitas de todos ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um superavit nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29.

- Sei muito bem o que quero e para onde vou. - afirmara, denunciando o seu propósito na tomada de posse.

Na imprensa, especialmente a que lhe era favorável, Salazar seria muitas vezes retratado como salvador da pátria. O prestígio ganho, a propaganda, a habilidade política na manipulação das correntes da direita republicana, dos monárquicos e dos católicos consolidavam o seu poder. A Ditadura dificilmente o podia dispensar e o Presidente da República consultava-o em cada remodelação ministerial. Enquanto a oposição democrática se desvanecia em sucessivas revoltas sem êxito, procurava-se dar rumo à Revolução Nacional imposta pela ditadura. Salazar, recusando o regresso ao parlamentarismo da 1ª República, dá a solução: cria a União Nacional em 1931, movimento nacional (na prática o partido único) aglutinador de todos quantos quisessem servir a pátria.

É verdade que foi uma ditadura. É verdade que uma ditadura, para quem a vive, não será agradável.
É também, e muitas vezes esta parte é esquecida porque apenas os factos que nos interessam são mencionados, visto que por vezes não existem argumentos para combater os contrários, verdade que Portugal atravessava uma fase de crise e foi eleito pelo povo, democraticamente, um líder de pulso firme.
Necessitavamos de um hoje. Será que não iríamos cair em opressão de novo? Não se sabe, é possível. No entanto quem tem medo de viver não sai de casa.


Temos depois também os grandes reis, como foi D. Afonso Henriques, fundador do nosso império, D. João II, que nos libertou do domínio espanhol, temos dois dos maiores poetas, Fernando Pessoa e Luís Vaz de Camões, temos Vasco da Gama, José Saramago, prémio nobel da literatura, António Damásio, conceituadíssimo neurologista que conduz investigações nos Estados Unidos, e muitos mais, milhares...
Temos também grandes personalidades a nível desportivo e outros tipos de entretenimento.
No entanto, na minha modesta opinião, considerar um desportista como um grande português é algo estranho. Ter jeito para dar uns pontapés na bola e ganhar milhões não é, para mim, razão para se ser um grande português.
No entanto, são opiniões.

Poderia citar uma data de documentos e factos históricos, mas prefiro deixar isso ao critério de cada um.
Deixo um link para pesquisa: Google

Para terminar, e em jeito de conclusão, eleger o maior ou melhor português é muito complicado, quase certamente impossível. Ao votarmos num rei não podemos esquecer toda a imensidão de gente por trás dele que permitiu que o seu reinado fosse glorioso.
Existem muitas razões, cada um terá as suas, para eleger um bom português.
Na minha opinião todos podemos ser bons portuguêses. Basta para isso gostar de ser português, ser-se Patriota (amor, dedicação e orgulho pela pátria).
Todos estes, mais ou menos cultos, bons ou maus, são bons portugueses!

Deixo em seguida algumas opiniões recolhidas no fórum da RTP:

José Gomes

2006-10-16 02:36:46 OBVIAMENTE AFONSO HENRIQUES, O PRIMEIRO, O MAIOR
mas há dúvidas quanto ao maior português?

sinceramente, todos os outros podem ser bons, sagazes ou talentosos, mas d. afonso henriques é incomparável, inigualável.

ele fez tudo por este país: acreditou num reino separado de castela, lutou por essa ideia, fundou PORTUGAL, foi o primeiro português, guerreou contra a propria mãe para defender este país, conquistou 80% do nosso território, estabeleceu os acordos com o papa para reconhecer a legitimidade do reino de portugal, teve o maior reinado de sempre, ah com idade avançada ainda foi salvar o filho ao castelo de ourique...

genial! nunca, jamais, algum português igualou estes feitos. a ele tudo devemos. OBRIGADO POR PORTUGAL



mafalda

2006-10-13 15:42:01 liberdade de expressão...
olá todos, pelo o que pôde constatar acho que os portugueses não deviam relatar tanto sobre o facto de Salazar estar nas listas. Não defendo que fosse um grande Portugues, mas fez parte da nossa história, embora que essa parte da história não seja um sucesso e nem um exemplo para a nossa nação. Mas o povo têm o direito á escolha, seja lá quem fôr. Portanto, cada um escolhe aquele(a) que teve grande significado, mas devo confessar que Salazar não irá chegar aos topos, pois não é um Homem que nós tenhamos orgulho enfim mas vivemos noutra era e essa temos o direito á liberdade de expressão, coisa que no tempo de Salazar jamais poderiamos ter... obrigado e boa escolha ...


Ana Sofia

2006-10-13 15:32:23 Essa Pessoa
Fernando Pessoa.Um dos génios do século XX.O único poeta com 3 personalidades(heterónimos), cada uma a mais irreverente.Alberto Caeiro pelo seu sensacionismo;Alvaro de Campos e a sua paixão pelas máquinas e progressos;Ricardo Reis o apaixonado.
Este poeta que "fingia a dor que deveras sentia", esteve, de facto, perto de criar uma outro epopeia, a par com os Lusíadas. A sua obra "Mensagem", retrata na perfeição a história de Portugal."o Brasão", o inicio do Condado Portucalense;"O Mar", retratando os descobrimentos com magnificos poemas exaltando todo o sofrimento durante as navegações; e por fim,e quanto a mim a melhor parte de toda a Mensagem, "O Nevoeiro", em que Fernando Pessoa mostra como Portugal se comportou desde a morte de D.Sebastião.
Sem dúvida alguma que este poeta é, no Modernismo, um Mito, "mito o nada, que é tudo", foi o que foi Fernando Pessoa,passe-se a redundancia, com os seus heterónimos, isto é, foi tudo e foi apenas Fernando Pessoa.
Todo o seu simbolismo, todo o seu melancolismo, todo o seu fingimento deviam fazer parte da boblioteca de cada um.


Um dos Imortais

2006-10-13 15:28:26 Salazar e Soares
Independentemente de cada opinião, Salazar foi um grande português, ou pelo menos, um dos vultos mais marcantes em Portugal.
Eu pessoalmente odeio o Mário Soares pelo que fez na descolinização mas reconheco o direito dele aparecer numa lista destas, pois fez outras coisas que merecem ser enaltecidas (só me lembro da adesão à CEE).
Actualmente é consensual que o que Salazar fez depois da IIGM não foi benéfico para Portugal mas as coisas "más" que fez não podem censurar as coisas "boas" (controle das finanças, fim da bandalheira da 1ª repulbica, decapitação da resistência monarquica, desenvolvimento das colónias, manutenção do império português, etc).
Acho lamentavel também que se julgue TODAS as acções do Salazar pelos valores morais de hoje e não se aplique a mesma atitude em relação a outras figuras! O Afonso Henriques vendeu a Galiza e agrediu a própria mãe, o D. João II e o D. Manuel lixaram os judeus, o D. João IV submeteu à força povos à nossa vontade, o Marquês de Pombal lixou os Tavóra, etc etc...
Tenham bom senso e lembrem-se que é suposto divertir-nos e aprendermos com isto.
A minha escolha seria sempre:
1 - D. Afonso Henriques
3 - D. João IV (assinou um tratado que nos dava parte do mundo... mais que isto é dificil);
2 - D. Dinis (oficializou a língua portuguesa e assegurou desta forma a nossa independencia cultural para sempre);
3 - Vasco da Gama
4 - Afonso Alburqueque (violento mas essencial na altura certa);
5 - Infante D. Henrique
6 - Nuno Alvares Pereira (o homem na altura certa)
7 - Camões
8 - Marquês Sá da Bandeira (aboliu a escravatura e lutou toda a vida);
9 - Mouzinho de Alburquerque (praticamente sozinho manteve Moçambique português e a paga foi morrer na miséria)
10 - Amália Rodrigues


Bem hajam, portugueses!