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22 novembro 2004

Veracidade Cinematográfica: Sim ou Não?

(Este post foge um pouco à linha anterior, mas um blog é comandado por opiniões pessoais. Gostaria também, se se sentirem capazes de aceitar o desafio, de pedir aos leitores (que ainda são poucos) que começassem também a participar. Podem escrever sobre o que quiserem, eu prometo publicar. É só enviar por mail para fabio_barros@netcabo.pt. Obrigado mais uma vez, e espero que este espaço continue a crescer, não só em leitores como em participantes também.)

Em primeiro lugar este post era para ser feito ontem. Ainda bem que não o foi, porque assim sendo tenho a minha opinião reforçada.
Assisti entre a noite de ontem, depois de uma inesquecível noite de futebol na luz, e a tarde de hoje a dois filmes sobre montanhismo.
Para os poucos que razoavelmente me conhecem, o montanhismo, além da música (e não só...), é uma paixão para mim. Apenas como apreciador, é certo, visto que não pratico, mas também Miss Elizabeth Hawley é a maior jornalista e uma das maiores conhecedoras de montanhismo e nunca escalou uma montanha.
Assim sendo, e como para um músico é uma paixão ir a um concerto, para mim foi aliciante assistir a dois filmes, um deles "novo" para mim. O outro ("Limite Vertical") já conhecia, mas na altura foi para mim um simples filme. Desta vez para mim foi um pouco diferente. Tal como quando ouvimos um solo fantástico, sem perceber a sua base. Ouve-se a melodia, apreende-se, gosta-se ou não. Quando começamos a perceber algo de música, ou descobrimos que esse tal solo até nem é assim tão fantástico técnicamente, apenas usando uma escala pentatónica, ou que então é fora do vulgar, só ao nível dos melhores. Muito bem, desta vez descobri, além de anteriores opiniões que já tinha formuladas sobre o filme, que é mesmo um verdadeiro "balde de água", só servindo mesmo para entretenimento. Recomendo a quem pretenda ver boas paisagens e dar umas boas gargalhadas.
"Mantém as coisas simples e cativa o público", pois é!
Um filme quando é realizado tem como objectivo, muitas vezes, divertir o público. Poucas são as vezes em que se realiza um filme com outro objectivo, seja ele crítico, ou informativo por exemplo.
No entanto, e não falo de documentários, mas sim de meras películas cinematográficas, falta um pouco de rigor em relação a assuntos abordados.
Como é possível, isto sabendo que acima de 8.000 metros de altitude o ar é tão rarefeito a ponto de não permitir a sobrevivência por longos períodos de tempo, 2 seres humanos, ainda para mais sem utilização de garrafas de oxigénio, manterem uma discussão isto sem sequer se vêr uma respiração acelerada?
Tudo bem, dirão que é um filme, e tudo não passa de uma fantasia. Então porquê realizá-lo numa montanha de 8.650 metros de altitude (K2), por sinal a mais perigosa de todas as 14 montanhas com mais de 8.000 metros situadas nos Himalaias?
Não se percebe!
Há tanto assunto a abordar sobre o montanhismo que não se entende o porquê de gozar, sim isto é nitidamente um gozo, com este desporto. Seria o mesmo que pôr (e eu também já assisti a isto em filme) um jogo de futebol a decorrer à margem das leis da gravidade.
Ora, assim eu pergunto para que servem os desenhos animados...
Não seria suposto os filmes abordarem assuntos mais sérios? Ou pelos menos não tão ridículos.
É claro que aqui não me refiro a filmes das origens de The Lord of the Rings ou mesmo Star Wars que são baseados em histórias fictícias, e por mais que os ache ridículos (no caso de Harry Potter) não os considero falhados.
No entanto quando se aborda um assunto mais real, aí, e penso que não serei só eu, não gosto de dar por mal gasto o meu dinheiro.
Isto não se passa só acerca deste Limite Vertical apenas este, que estive a vêr hoje de tarde, me despertou sentido crítico (que não me falta vontade de críticar, mas nem sempre se pode, ou nem sempre se possuem os argumentos).

Por hoje é tudo. Talvez volte a críticar algo, ou tentando mudar um pouco o género, colocar algo mais online antes do final da semana. Entretanto sintam-se livres de enviar textos, legíveis claro (até pode ser o relato do vosso dia-a-dia, desde que suscite interesse).


Fábio Barros

07 novembro 2004

O profissionalismo da música em Portugal

Mais uma vez cá me encontro. Outra vez para falar sobre um assunto que me intriga particularmente, acerca da música em Portugal.
Não me considero um crítico, até porque acho que não tenho a competência devida para tal. Gosto apenas de expressar a minha forma de pensar através de uma arte: a escrita.
Hoje falo do não-profissionalismo da música neste nosso Portugal.
É verdade, muitas bandas surgem, nos dias de hoje, por todo o mundo. Por cá acontece o mesmo.
A diferença é que por cá, muitas das bandas que se formam e que pretendem vingar neste mundo, não são profissionais o suficiente...
Veja-se o exemplo: uma banda Americana, por exemplo os Evanescence (goste-se ou não) gravam um albúm em metade do tempo que uma banda portuguesa, com uma produção fantástica, conseguindo mesmo actuar ao vivo soando equivalentemente ao albúm. Aqui, gostando ou não da banda, e não considerando a voz de Amy Lee (mas isto já são devaneios), joga-se com o profissionalismo. A banda é competente, vê a música, paralelamente ao prazer, como uma profissão em que tem que dar o seu melhor.
Por cá (falo por experiências que partilhei com amigos), algumas bandas, e falo apenas das que surgem, olham a música como uma diversão.
Por exemplo, e citando uma experiência do amigo e mestre Marcelo Costa (que para além de músico e professor é também produtor musical), ao produzir uma banda refere o quão convencida é a banda (banda com 6 meses, sem experiência nenhuma, em qualquer área), julgando-se um grupo de bastante qualidade ao qual não se pode fazer um elogio, e passo a citar: "Estávamos em minha casa a gravar. O baixista deles não tinha experiência nenhuma, tocava há poucos meses. Fui gravar as partes de baixo e saiu tudo bem, ele respeitou os meus conselhos e conseguimos gravar bem, num bom tempo. Demorei mais a gravar o resto da banda. E os outros membros tocavam há mais tempo que o baixista. Foi então, que numa pausa para descanso, caí em erros de os elogiar. A partir daí eles faziam o que queriam, não respeitavam os meus conselhos, julgando-se grandes profissionais.".
Este mesmo Marcelo Costa disse, um mês antes, mais coisa menos coisa, que estava a gravar uma banda, formada há seis meses, os quais pretendiam soar como se tivessem 10 anos de experiência.
Enfim... É a minha opinião (em baixo), baseada em factos alheios.
(Sendo a música uma paixão para muitos, que o afirmam convictamente, deveria dar-se o máximo por iniciativa própria, não sendo preciso um produtor exigir isto ao músico.)
Isto deve-se muito à humildade destes músicos, na minha opinião.
Portanto, e note-se que apenas é a minha opinião como tal não julgo ninguém, deixo um conselho a novas bandas que venham a surgir.
Profissionalizem a música, começando por serem profissionais e humildes vocês mesmos. Assim talvez consigamos atingir patamares mais elevados e competir com bandas estrangeiras. Profissinalismo em Portugal, já!
Veja-se as bandas nacionais que têm sucesso no estrangeiro (Moonspell por exemplo). Porquê? Porque, talvez por estarem fora do próprio país, tenham mais respeito, sejam mais humildes.
Não considero aqui todo o mundo musical deste nosso Portugal.
Há muito bons profissionais que dignificam a música, goste-se ou não do trabalho.
Um obrigado a esses da minha parte.


Fábio Barros