Mais uma vez cá me encontro. Outra vez para falar sobre um assunto que me intriga particularmente, acerca da música em Portugal.
Não me considero um crítico, até porque acho que não tenho a competência devida para tal. Gosto apenas de expressar a minha forma de pensar através de uma arte: a escrita.
Hoje falo do não-profissionalismo da música neste nosso Portugal.
É verdade, muitas bandas surgem, nos dias de hoje, por todo o mundo. Por cá acontece o mesmo.
A diferença é que por cá, muitas das bandas que se formam e que pretendem vingar neste mundo, não são profissionais o suficiente...
Veja-se o exemplo: uma banda Americana, por exemplo os Evanescence (goste-se ou não) gravam um albúm em metade do tempo que uma banda portuguesa, com uma produção fantástica, conseguindo mesmo actuar ao vivo soando equivalentemente ao albúm. Aqui, gostando ou não da banda, e não considerando a voz de Amy Lee (mas isto já são devaneios), joga-se com o profissionalismo. A banda é competente, vê a música, paralelamente ao prazer, como uma profissão em que tem que dar o seu melhor.
Por cá (falo por experiências que partilhei com amigos), algumas bandas, e falo apenas das que surgem, olham a música como uma diversão.
Por exemplo, e citando uma experiência do amigo e mestre Marcelo Costa (que para além de músico e professor é também produtor musical), ao produzir uma banda refere o quão convencida é a banda (banda com 6 meses, sem experiência nenhuma, em qualquer área), julgando-se um grupo de bastante qualidade ao qual não se pode fazer um elogio, e passo a citar: "Estávamos em minha casa a gravar. O baixista deles não tinha experiência nenhuma, tocava há poucos meses. Fui gravar as partes de baixo e saiu tudo bem, ele respeitou os meus conselhos e conseguimos gravar bem, num bom tempo. Demorei mais a gravar o resto da banda. E os outros membros tocavam há mais tempo que o baixista. Foi então, que numa pausa para descanso, caí em erros de os elogiar. A partir daí eles faziam o que queriam, não respeitavam os meus conselhos, julgando-se grandes profissionais.".
Este mesmo Marcelo Costa disse, um mês antes, mais coisa menos coisa, que estava a gravar uma banda, formada há seis meses, os quais pretendiam soar como se tivessem 10 anos de experiência.
Enfim... É a minha opinião (em baixo), baseada em factos alheios.
(Sendo a música uma paixão para muitos, que o afirmam convictamente, deveria dar-se o máximo por iniciativa própria, não sendo preciso um produtor exigir isto ao músico.)
Isto deve-se muito à humildade destes músicos, na minha opinião.
Portanto, e note-se que apenas é a minha opinião como tal não julgo ninguém, deixo um conselho a novas bandas que venham a surgir.
Profissionalizem a música, começando por serem profissionais e humildes vocês mesmos. Assim talvez consigamos atingir patamares mais elevados e competir com bandas estrangeiras. Profissinalismo em Portugal, já!
Veja-se as bandas nacionais que têm sucesso no estrangeiro (Moonspell por exemplo). Porquê? Porque, talvez por estarem fora do próprio país, tenham mais respeito, sejam mais humildes.
Não considero aqui todo o mundo musical deste nosso Portugal.
Há muito bons profissionais que dignificam a música, goste-se ou não do trabalho.
Um obrigado a esses da minha parte.
Fábio Barros
1 comentário:
É isso, quem quer fazer da música (ou qualquer outra arte) profissão tem de a ver como tal, e por isso dedicar-se como se dedicaria a qualquer trabalho onde tivesse um patrão que ao mínimo erro o despedisse. Isso é raro no nosso país... Para além de muitos partirem do princípio que não vão longe, só porque o vizinho do lado já teve uma banda e não deu, muitos há também que pensam que lançaram um álbum e por isso já têm o futuro garantido. Os LED ZEPPELIN, os DEEP PURPLE, os ROLLING STONES, os PINK FLOYD só venderam muitos álbuns porque cada álbum novo em que trabalhavam o faziam como sendo O ÁLBUM da vida deles!!!! (na prática nem sempre, mas a ideia é esta :D) Meus amigos, eu não tenho experiência nenhuma, mas sei que sem PROFISSIONALISMO e respeito pelo que se está a fazer (e também por quem vai consumir o que estamos a "vender"), não se vai a lado NENHUM! Na minha área, por exemplo, eu posso ser uma grande fotógrafa, mas se não entregar os trabalhos a tempo ou fizer apenas o que me dá na cabeça... enfim... fotógrafos há muitos!
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