Era finalmente verdade. Eu ía ver os Iron Maiden na sua terra natal. Tudo estava organizado desde final de Agosto, início de Setembro. Os bilhetes do concerto, a viagem, os itinerários na magnífica cidade de Londres, as finanças revistas e as contabilidades feitas.
Finalmente, e felizmente, acordámos dia 23, às 4 da matina, para o que iria ser uma das mais memoráveis aventuras em nome do metal e dos Iron Maiden, pela parte que tocava à 'trupe'.
O vôo era só às oito horas e vinte minutos, mas às cinco da manhã já rondávamos o aeroporto de Lisboa.
Check-in feito, espera interminável.
A viagem até Londres decorreu com toda a normalidade, habitual nas viagens de avião...
Aterrados em Londres que estávamos foi a vez de fazer tempo até às 18 horas, hora a que as portas dos nossos sonhos se abririam.
Londres, 23 de Dezembro, 18 horas, Earls Court - Os arrepios na 'espinha':
As portas abriram-se...
A fila, certo é que mais organizada que na nossa humilde 'terrinha' mas não deixando de ser uma fila, lá entrou aos meios empurrões.
O Earls Court é sem dúvida um monumento! Enorme história, grandiosas bandas que já pisaram lá o palco, edifício imponente, com grande classe no seu interior. Nem pareceria lugar para um concerto de metal.
É um espaço antigo, as bancadas revestidas a madeira, cadeiras de madeira e antigas, no entanto tudo estimado à boa maneira inglesa.
Enorme, dois ecrãs gigantes de cada lado do também grande palco, civilização que predominava.
18.30, Lauren Harris - Histerismo em forma humana:
É verdade, a filha de Mr. Steve Harris (Baixista dos Iron Maiden) lá arranjou um 'tacho'.
Inicialmente era para fazer as primeiras partes de Maiden em algumas datas onde os Trivium, banda escolhida inicialmente pelos Maiden para fazer as primeiras partes, não poderiam actuar.
A meio da tour as coisas mudaram um pouco e a 'menina' Harris começou a fazer as primeiras partes de Trivium, ou seja, começou a actuar cerca de meia hora antes da banda americana.
A rapariga esforça-se, até pode gostar muito de música e ter uma grande cunha, mas presença em palco e calma são coisas que lhe faltam.
Tudo bem que está no início, mas abrir para Maiden não é uma festa de Universidade, não é um baile de finalistas e também não foi o primeiro concerto da menina Harris.
A musiquinha é um pop-rock agradável, bons músicos, no entanto a vocalização (ou gritaria!?) deixa algo a desejar.
Em primeiro a voz de Lauren Harris não é nada de especial, mas depois esta menina também não parece saber interpretar, ou será que o objectivo é vender?
Mais uma Britney Spears, meio inserida no meio metálico graças ao pai que tem.
Em segundo lugar, nas poucas interacções que teve com o público destaco... nada! Lauren Harris decidiu testar os tímpanos de todos os presentes gritando incansavelmente sempre que falava, o que impediu que se percebesse também o que pretendia transmitir.
Agradeceu, aqui humanamente e calmamente, aos Iron Maiden e ao público.
Serviu para entreter mas se a primeira parte fosse apenas a cargo dela saberia a muito pouco.
19.15, Trivium - Sim, em Londres os horários são cumpridos:
Os Trivium entraram a horas, certinhos como um relógio, não estivéssemos nós em Londres.
Esta banda, com uma linha musical algo deambulante entre o death metal e o trash metal, surpreendeu.
Não é, para mim, uma grande surpresa mas sim uma boa surpresa. Música agradável, 'sempre a abrir', não deixando ninguém adormecido e a puxar o headbanging, muito boa presença em palco. Matt Heafy, vocalista e guitarrista da banda, além de muita garra mostrou ter uma boa interacção com o público, mantendo-o sempre agarrado ora pela música, ora pela conversa.
Agradeceu também aos Iron Maiden pela oportunidade que lhes estavam a dar, deu os parabéns ao aniversariante Dave Murray (guirarrista dos Iron Maiden), disse que queria ver mais headbanging, mais moshe e mais gente a cantar. Incentivou a criação de circle pits, 'rasgou' mais dois temas e foram-se embora os Trivium, um bom aquecimento para Iron Maiden e o grande momento estava perto.
20.45, Doctor Doctor dos UFO; Mars, the Bringer of War de Gustav Holst; Different World - Iron Maiden, A Matter of life:
Os Iron Maiden, mais uma vez, a horas.
Depois da muito boa Doctor Doctor dos UFO já todo o público no Earls Court estava de pé, meio extasiado. Todos sabiam o que se seguiria.
A cortina abre-se, num fundo vermelho e iluminado por um projector amarelo Nicko grita, e entramos num Different World.
Acústica impecável, os Iron Maiden com uma sonoridade impecável. O público completamente contagiado, nas mãos da Dama de Ferro.
Different World acaba e segue-se, tal como em toda a restante tournée, These Colours Don't Run, precedida por uma pequena introdução onde Bruce Dickinson disse "We're Iron Maiden and these colhours don't run".
Mais uma música passada e a certeza de que aquelas cores não fogem mesmo: os Maiden estavam em palco aos 50 anos, frescos que nem alfaces e com quase 30 anos de carreira.
Brighter than a thousand suns, The pilgrim, The longest day, todas sublimes. A única confirmação de que não estávamos perante A matter of life and death em CD era o facto da banda estar perante nós, da sonoridade ser mais real, da energia partilhada ser bem mais intensa, pois em termos técnicos este albúm, apesar de complexo, foi interpretado sem qualquer falha. E a maior surpresa surgiu de onde se esperava a maior falha: Bruce Dickinson.
48 anos e muitas tournées em cima, o apresentador de rádio, piloto de aviões, praticante de esgrima, vocalista e letrista surpreendeu muito pela positiva. A sua voz em albúm era fascinante, as interpretaçõe sperfeitas, mas ao vivo este senhor mostrou que está aí para as curvas e para outros tantos 49 anos de muito mais artimanhas.
Ele canta, ele salta, ele comunica com o público, ele tem o público na mão, ele discursa seriamente ou em tom de brincadeira.
É fantástico... simplesmente! Notas altas, notas baixas, variações de ritmo e de tom perfeitas, sem uma única quebra ou desafinação.
Chega Out of the Shadows e como era habitual o primeiro discurso mais sério com o público. Alguém decide atirar uma boneca e Bruce pergunta se alguém se recorda da música da série onde a boneca entrava.
O público não responde e Bruce começa a puxar, em jeito de brincadeira.
Voltamos à música e ao alinhamento de A matter of life and death.
The reincarnation of benjamin breeg, for the greater good of god... até ao legado continuamos bem sem saber se estamos perante uma questão de vida ou de morte, sabemos apenas que estamos perante os Iron Maiden e que aquelas quase duas horas são preciosas e valem bem o dinheiro.
Chegado ao fim o alinhamento do novo albúm outro discurso: "Senhoras e senhoras, pela última vez na história mundial, A matter of life and death na sua íntegra".
Fear of the Dark, e a loucura invadiu a sala.
Como que de repente o público presente no Earls Court mostrou-se vivo e eufórico, isto depois de um pequeno adormecimento logo após The longest day/Out of the Shadows (que se deveu, possivelmente, ao facto do novo albúm ser interpretado na íntegra; uns reclamaram outros se deliciaram!).
Depois do novo material regressavam os clássicos bem conhecidos de qualquer fã ou simples apreciador de Iron Maiden.
Seguiu-se o hino: Iron Maiden. Pela primeira vez aparece Eddie. Por trás do estrado da bateria surge um tanque, abre-se a escotilha e aparece a mascote.
Os Maiden vão embora mas hão-de regressar para o encore.
Regressados Bruce incentiva os presentes a cantar os parabéns a Dave Murray.
Um momento de boa disposição onde Dave se mostrou contente e também muito bem humorado.
"Que horas são?"
2 minutes to midnight abre o encore. Outro clássico pelo qual os fãs anseavam há algum tempo.
The evil that men do e Hallowed be thy name e a única forma de descrever estes momentos é loucura total pela parte do público e perfeição pela parte dos Iron Maiden.
Chegámos ao final com a certeza de que estão bem vivos.
Mostraram enorme energia em palco e que não é só o vinho do porto que se quer bem envelhecido.
É impossível transmitir o que se sente num concerto, é possível contar a sua história, que muitas vezes durante as tours sao contadas.
Aqui está a minha... que sentida foi, certamente.
Cá os esperamos, pelo menos, em 2008.
A matter of... band!