
4 horas: uma entrada de uma hora com uma bela sardinhada que deixou água na boca, três horas seguintes de luzes e, sobretudo, muita acção e som!
Foi no dia 4 de Novembro que Lisboa foi, novamente, presenteada com a presença de um dos melhores, e mais importantes, guitarristas da actualidade (e que certamente já é eterno): senhoras e senhores... STEVE VAI!!!
Cheguei à Aula Magna de Lisboa por volta das 19/19.30. Primeiramente fiquei espantado com a quantidade de gente que se encontrava já à porta da Magna, superando, muito largamente, as minhas expectativas sobre o impacto que este senhor da musica tem no nosso país (em relação à sua carreira a solo).
Às 20 as portas exteriores da Magna de Lisboa lá abriram lentamente, não sabíamos nós que mais meia hora nos esperava, já dentro do recinto e em frente às portas que levavam à sala de espectáculos propriamente dita.
20.30, lá entramos. Uns minutinhos e lá chegou a mítica vontade da jolinha antes do início do espectáculo, mas isso fica cá para mim...
21! Eric Sardinhas! Perdão, Sardinas...
O americano fez jus à famosa expressão "kick some serious ass". Cheio de energia, com uma presença em palco fantástica, Sardinas mostrou-nos toda a sua arte musical, muito baseada em slides, melodias cristalinas ou uns slides rasgados, desde os blues a uma sonoridade algo progressiva, com um final estonteante que começou com uma saida de palco, uma volta atraves da plateia, regresso ao palco, slides com uma garrafa de cerveja e um final puramente Hendrixiano com o palco em chamas e a guitarra a arder. Fantástico!
Sai Eric, entram os técnicos, aproveita-se para recuperar energia enquanto se preparava a entrada de um verdadeiro Gentleman.
Uma voz surgiu a anunciar Steve Vai, as luzes apagaram por completo, ouvi-se um som de baixo e eis que aparece Steve Vai, guitarra de dois braços nas mãos, um lenço na cabeça e um vestuário que fazia lembrar um samurai.
E lá estava o guerreiro com a sua arma!
Depois de dois temas (se não me engano), surgiu o primeiro agradecimento e o diálogo com o público. E aqui começava a notar-se a arte de comunicar, que não está presente apenas através da guitarra mas também na voz de Vai. Apresenta a banda, faz umas piadas com Prince e canta, em falseto, o refrão de "Little red corvette", e voltamos à música.
O tempo ía passando, Steve desfilava, dançava, movia-se ao som da sua guitarra com uma sensualidade enorme, um estilo muito rock'n'roll e uma ventoínha (?) que insistiu ao longo da noite em levantar-lhe o cabelo (tudo conjugado para o fazer brilhar, na noite que era dele).
Mas, ao contrário do que se esperava, talvez, a noite não foi de Steve, mas de todos os presentes na sala. A interacção muito bem disposta constante com o público, os solos que proporcionou a todos os músicos da sua banda, o dueto com o baterista, o retorno de Sardinas para uma jam, como lhe chamou, o encore, For the love of god, o sentimento de que estava prestes a acabar, o final, e Steve, claramente emocionado a agradecer ao público português, com uma mão sobre o coração. Uma noite inesquecível que deixa água na boca... Steve, Vai mas volta!